SOBRE A “QUEDA DE BRAÇO”

 

 

O ex-ministro das Relações Exteriores do governo FHC, LUIZ FELIPE LAMPREIA, escreveu, há poucos dias, em O GLOBO, um artigo extremamente pessimista sobre a atual crise com o Irã, em que, dentre outras afirmações, diz o seguinte:

1)    Está afastada a ideia de uma negociação com o Irã. Todas as vias diplomáticas  foram exploradas em vão e o Irã furtou-se sempre a aceitar uma renúncia séria e verificável às suas instalações nucleares pela Agência Internacional de Viena. O Conselho de Segurança da ONU, os Estados Unidos e seus aliados europeus já atravessaram este Rubicão.

2)    Descarte-se igualmente, pelo menos no momento, a ideia, algumas vezes suscitada, de um ataque aéreo israelense e/ou americano. Seria uma operação de altíssimo custo político e militar, além de ter resultados incertos, que colocaria a região e o mundo inteiro em polvorosa, em abismo insondável.”

Antes de chegarmos ao fim da leitura do artigo a sensação é de que não há solução para o problema. Até que ele conclui o texto, dizendo:

“Se não podemos dizer que o tempo é da diplomacia, pelo menos resta esperar que a marcha da folia possa ser interrompida antes do abismo.”

Ou seja, segundo LAMPREIA, só nos resta apelar para alguma divindade – cristã, judaica ou muçulmana – e torcer para a “ a marcha da folia possa ser interrompida antes do abismo.”

Vamos apelar, e torcer…


E SE PERDERMOS ?

 

 

Havia uma anedota antiga, que todos conhecem, de um conselheiro de um ditador latino americano, que queria convencer o chefe a invadir os Estados Unidos porque essa era a forma de o país – tal como a Alemanha, depois da Segunda Grande Guerra, com o Plano Marshall – obter apoio financeiro.

O clímax da piada, que é o mais gozado, ocorre quando o ditador pergunta: “e se ganharmos”?

No caso, agora, do Estado de Israel, que acha que tudo será fácil, que o bombardeio será cirúrgico, que o povo do Irã vai, em seguida,  se levantar contra o regime, que conhece vários líderes políticos iranianos que lhes asseguram isso, deve ser feita a pergunta inversa: e se perdermos ?

Será que o presidente OBAMA vai cair nessa esparrela de, num ano eleitoral, inaugurar uma guerra “de escolha” contra o Irã ?

Pessoalmente, acho difícil. Se OBAMA  fizer isso, o “finado” GEORGE W. BUSH vai ressuscitar como um grande herói americano!


FOGO AMIGO

 

Segundo reportagem do jornalista ANTONIO CANÕ, do El País, o Estado de Israel aumenta a pressão para que os EUA se envolvam, militarmente, no Irã, antes da reeleição ( que eu espero venha a ocorrer ) de OBAMA.

É uma total irresponsabilidade !

Vamos ver se a Administração OBAMA consegue safar-se dessa.


PENA SER UM LIVRO TÃO CONFUSO

 

 

Não gosto de reportagens – nem de livros – de escândalos.

Mas tive a minha atenção despertada para o livro de AMAURY RIBEIRO Jr, “A Privataria Tucana”, por uma nota publicada na imprensa dando notícia de que o site da Revista de História, ligada à Biblioteca Nacional, publicou um artigo assinado por um de seus editores, CELSO DE CASTRO BARROS, considerando-o uma boa obra de jornalismo investigativo.

Comprei o livro, e cheguei a me encantar com a leitura das suas primeiras páginas.

Em pouco tempo, porém, percebi que o autor estava se enredando na sua história, perdendo-se num emaranhado de dados e documentos ( muitos deles copiados de processo judiciais ) o que acabou tornando quase impossível,  para mim, ler o texto até o final.

 


A MINHA VELHA TECLA

 

 

No artigo de hoje no Estadão, intitulado “O custo da indústria”,  o colunista CELSO MING, à certa altura, escreve:

E não custa bater no mesmo bumbo em que esta Coluna vem batendo. O grande problema do setor produtivo brasileiro chama-se ‘custo Brasil’. Com algumas diferenças, é a mesma lista de barreiras à produção há mais de 50 anos: carga tributária insuportável; quarta mais cara energia elétrica do mundo; juros escorchantes; encargos sociais cada vez mais altos; e infra estrutura cara e precária”.

Esse custo Brasil, a que MING se refere, começa ser sentido, mais fortemente, na carne pela classe média brasileira, quando viaja para o exterior, e fica surpresa com o preço, por exemplo,  das mercadorias nos Estados Unido,  em comparação com as compradas aqui.

Tudo isso – batendo eu o meu bumbo – ampliado pela … correção monetária ( cada vez menos residual ) !