INSEGURANÇA DO SISTEMA FINANCEIRO INTERNACIONAL

A Bolsa de Valores de New York teve uma semana de queda que os analistas, em geral, afirmam ser “normal”, pois os fundamentos da economia mundial seriam sólidos, alegação de cuja idoneidade eu desconfio.

Antes da crise de 20072008 as agências de rating diziam a mesma coisa ou não nos alertaram sobre algo de ruim que se aproximava, numa demonstração de que as referidas agências fazem parte desse mesmo sistema e não conseguem criticá-lo “de fora”.

A minha perspectiva é a de um outsider.

Observo, há anos, através da mídia, o que se passa no mundo das finanças internacionais a partir de uma perspectiva muito teórica – sujeita, portanto,a  contestações – de que a moeda nacional é uma norma ( e um valor ) que dá sentido ao ato jurídico da emissão. Equiparo os conceitos de norma e valor, considerando-os, ambos, um dever-ser; e, ao mesmo tempo, considero que a emissão é um ato jurídico ( embora hoje ela seja algo nebuloso em que os bancos privados têm exagerada participação ). E, por último, creio que o conceito de poder aquisitivo é auxiliar, estatístico e contábil, despido de maior relevância científica.

Preocupado com a moeda verdadeira pude perceber que o Bitcoin, que ainda faz tanto sucesso atualmente, é equiparável à moeda falsa, crime previsto no artigo 292 do Código Penal Brasileiro, que se refere a título ao portador que contenha promessa de pagamento em dinheiro sem autorização legal.

Pois bem: aqueles gêmeos famosos norte-americanos que aparecem no filme sobre o Facebook, Tyler e Cameron Winklevoss ficaram bilionários com o Bitcoin, e alardeiam isso. Alguma coisa está errada. Como é possível alguém ficar bilionário aplicando seu capital numa moeda falsa, gabando-se publicamente disso?

Há alguma coisa de podre no Reino da Dinamarca!

Mesmo correndo o risco de estar embarcando numa “teoria conspiratória”, tenho uma forte impressão de que um sistema financeiro que ignora o que seja o seu elemento base, em que se apoia, é inseguro. De que um sistema que não consegue definir o que é valor é muito frágil.

Acho que já entramos no olho do furacão de uma crise financeira. Não vejo fundamentos sólidos que nos garantam. Sofro, portanto, da síndrome de “Depressão pós-Davos”, que também ataca o Prêmio Nobel Joseph Stiglitz, como ele escreve no artigo publicado anteriormente neste Blog.


3 comentárioss até agora

  1. José neves Fevereiro 10, 2018 2:28 pm

    À considerar:
    Os investidores em bitcoins devem ponderar que esse tipo de moeda encontra seu habitat na clandestinidade e somente circula no submundo. Assim, é fácil a con versão de moeda convencional em bitcoins, porém a recíproca não é verdadeira. Após os supostos ganhos, essa espécie monetária será utilizada na aquisição de bens e serviços do próprio submundo ou a taxas de ágio de conversão superiores às das ‘lavagens de dinheiro’.
    Ou seja, não apenas essa moeda é criminosa mas atrai para o seu meio marginal, sem retorno, seus desavisados investidores, tornando-os também criminosos ativos.

  2. Ewerton Fevereiro 11, 2018 4:25 pm

    Entendo que a situação do dólar é a mesma do bitcoin, um tem lastro político o outro lastro pessoal.

  3. letacio Fevereiro 12, 2018 10:34 am

    A pessoa não pode dar “lastro” ( ou valor ) à moeda. Quando ela faz isso está praticando o crime de falsificação de moeda. De igual modo – como no caso do Bitcoin – há crime assemelhado à moeda falsa, na forma do artigo 292 do Código Penal brasileiro quando a pessoa emite um título ao portador ( inclusive quando o seu suporte é virtual ) contendo promessa de pagamento em dinheiro.

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