A CRISE FINANCEIRA

No artigo do Valor – “Cinco lições para detectar a próxima crise financeira” –  o estrategista-chefe Christian Gattiker, conclui que nada ocorrerá ( em tevermos de crise ) nos próximos 12 a 24 meses do que, na minha visão inocente, discordo, pois já vejo em crise o sistema financeiro liderado pelos Estados Unidos.

Não que acredite que o capitalismo traria em si o germe de sua própria destruição. Mas vejo, há tempos, uma espuma tóxica inundando os mercados de capitais e pressinto que isso não tende a dar certo.

O que me chama, particularmente, a atenção, é a febre do Bitcoin.

Vislumbro na emissão e circulação do Bitcoin um crime assemelhado à moeda falsa. Isto é, vejo o Bitcoin como uma moeda falsa. Ainda assim, não só ele – como outras mil e tantas espécies similares – faz um sucesso enorme entre os investidores: o que é sinal de que eles estão meio perdidos ou seja, de que a cabeça deles está em crise.

No livro “This Time is Different”, de Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff, citado pelo articulista, há quatro “fatores comuns subjacentes a todas as crises: bonanças de fluxo de capital, inovação financeira, boom de habitação e liberalização financeira.” Observa Gattiker a respeito o seguinte:

“Olhando para os quatro fatores identificados por Reinhart e Rogoff, vivemos que apenas um deles se aplica ( e mesmo assim parcialmente ). Você poderia realmente afirmar que vivemos uma bonança de fluxo de capital, particularmente em renda fixa. Mas extravagantemente, o surgimento das criptomoedas, com as bitocins, aponta para excessos semelhantes. Quanto aos outros três fatores, lutamos para encontra-las”.

A meu ver o único fator que não está presente, atualmente, é o “boom de habitação”, mesmo porque ele foi gigantesco nos anos 2000. Os três outros estão à vista, escandalosamente: bonanças de fluxos de capital, inovação financeira e liberalização financeira”.

Minha impressão é de que os trilhões de trilhões de créditos que rodopiam pelo mundo afora, girando velozmente nas asas da eletrônica, não têm correspondência com os atos jurídicos que efetivamente se praticam nas sociedades que emitem moedas nacionais, internamente ou em suas relações internacionais.

Mais grave ainda é o fato de uma moeda falsa despertar tanta paixão. Os investidores acham que descobriram a pólvora, que podem dominar os valores, tornando-se emissores privados de moeda, o que mesmo Hayek – que gostaria tanto que houvesse – achava dificílimo de haver.

Diferentemente de Gattiker, creio que o atual pipocar das bolsas americanas – ainda mais com essa gangue de Trump no Poder – um péssimo sinal, de que a crise já está entre nós.


1 comentário até agora

  1. José neves Fevereiro 9, 2018 3:26 pm

    Ao lado da ‘febre amarela’temos a ‘febre do ouro’ que muitas vezes nada mais era do que o ‘ouro dos tolos’ (pirita ou dissulfeto de ferro)…
    A história se repete como farsa, mas nem por isto menos dramática…

Deixe um comentário

Seu e-mail nunca será publicado.