ENFIM, UM ARTIGO INTELIGENTE SOBRE O BITCOIN

O jornalista Fernando Torres, repórter de S.A. do  Valor, publicou um texto arguto na edição de hoje do jornal, intitulado “ Além da disparada de preço, o que há de intrigante no bitcoin?”. Segundo ele há centenas de milhares de investidores brasileiros – um número, como se vê, gigantesco – que tem carteiras virtuais de bitcoins, embora nenhum deles saiba, exatamente, o que eles são. Causa-lhe perplexidade, por outro lado, não haver uma regulamentação adequada para impedir o que poderíamos chamar uma debacle anunciada.

Proponho-me a dar uma resposta ao Fernando.

A falta de regulamentação do Bitcoin decorre do fato de ainda prevalecer, entre os economistas, inclusive os dos bancos centrais e organismos financeiros internacionais, a noção errada de Adam Smith de valor de troca. Partindo do equívoco de Aristóteles de que a troca antecedeu a moeda e acrescentando ao texto do filósofo um outro engano – de que o estagirita, no clássico exemplo dos sapatos, usara o substantivo valor – o grande Adam Smith coisificou o poder aquisitivo e deu ensejo a que o valor passasse a ser considerado uma abstração. Ou, o que é pior, se transformasse em algo sobrenatural, enquanto o poder de compra, ao substituir o valor intrínseco do ouro e da prata, ganhasse uma concretude física que ele não tem.

Enfim, se os economistas do maistream não sabem o que é moeda não conseguem entender o Bitcoin, que não é moeda.

Quanto ao sucesso do Bitcoin – e das 1300 moedas digitais a que o artigo se refere – ele decorre do fato de que vivemos num mundo de falsidades e o Bitcoin é uma moeda falsa. Ou, em outras palavras, o Bitcoin atrai porque não é verdadeiro.

No caso de moeda, o não verdadeiro, isto é, o falso, é crime. E todos – ou quase todos – os reguladores têm medo de afirmar que fazer circular e guardar bitcoins é um crime.

Até o momento em que algum Promotor de Justiça mais corajoso aponte o indicador e diga: vejam bem, estamos diante de criminosos em senso estrito.

Vamos puni-los!


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