O QUE ESTÁ POR TRÁS DO SUCESSO DAS CHAMADAS MOEDAS DIGITAIS

Existem, atualmente, milhares de moedas digitais, que surgem do nada.

Parte desses instrumentos monetários têm caráter comunitário: as “moedas sociais”, que circulam em pequenos grupos que ajudam a organizar e são, por assim dizer, “do bem”. Mas há as moedas digitais “do mal”, das quais a mais famosa é o Bitcoin que pretende ser um meio de criar moeda que não seja mais um monopólio dos Estados nacionais mas libertário e descentralizado.

Por que será que os especuladores gostam tanto do Bitcoin?

Porque acham que ele “tem valor”, pois tem previsão de limitar-se a pequena quantidade e a sua procura superará – e hoje talvez esteja superando – a sua oferta. Ele é pensado como uma commodity, e as pessoas têm a impressão de que qualquer mercadoria cuja demanda seja maior do que a sua oferta tende a valer mais e mais.

Só que o Bitcoin não é uma mercadoria, nem está vinculado a qualquer serviço. Será ele um valor?

Ao ter uma cotação o Bitcoin, de certo modo, é um valor mobiliário. Mas as moedas falsas – enquanto não invalidadas – são também valores mobiliários expressos numa moeda nacional.

A tradição monetária é muito rigorosa. A moeda é um monopólio do Estado nacional. Ela só é verdadeira quando é emitida por uma autoridade competente que compõe o poder central ao qual também cabe o monopólio da violência legítima.

For daí, é falsa.

O sucesso dessas moedas virtuais, que nascem a cada dia, é serem imaginadas como sobrenaturais, enquanto o seu poder aquisitivo é pensado como algo físico.

Juntam-se duas crenças erradas e cria-se um instrumento novo que entusiasma os especuladores. Até que caia o castelo de cartas….


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