O LAMENTO DE UM JUSMONETARISTA DO AR

Num País em que não se ensina Direito Monetário, nem nos cursos de graduação, nem de pós-graduação, quem é jusmonetarista, como eu, fica vítima da incontrolável desordem que inspirou os poemas que compõem o Fazendeiro do Ar, de Carlos Drummond de Andrade.

Por que ser jusmonetarista e tentar estudar a moeda, de uma perspectiva jurídica, se vivemos num País que não chega a ter uma moeda nacional?

Se vivemos num País que, em cerca de meio século, de 1942 a 1994, depois de mais de 500 anos de Mil-Réis, teve o Cruzeiro,  o Cruzeiro Novo, o Cruzado, o Cruzado Novo, outra vez o Cruzeiro, o Cruzeiro-Real e, finalmente, rompendo uma antiga cadeia sucessória, o Real e ainda assim consegue se manter como um fracasso monetário até hoje?

Se vivemos num País que se empenha, dia a dia, compulsoriamente, na correção monetária das suas obrigações pecuniárias?

Só sendo, como Drummond, embora não um fazendeiro, um jurista do ar.


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