HISTÓRIA INFANTIL

1)Como nasceu o dinheiro?

Até hoje não se sabe bem. Sabe-se, porém, que o dinheiro não nasce nas árvores.

Como nós vivemos numa sociedade de consumo o dinheiro é imaginado, apenas, como um poder de compra. Mas ele é importante em nossas vidas por muitos outros motivos.

2) O dinheiro é só para os ricos?

Não, ele é igual para os ricos e para os pobres. Acontece que os pobres não têm fácil acesso às peças monetárias.

Aqui surge uma novidade em nossa história.

3) O que são peças monetárias?

Elas são o chamado dinheiro manual, que nossas mães não deixam que a gente ponha na boca., porque são sujas.

Dizem que se o governo distribuir peças monetárias para os muito pobres eles são capazes de subir o primeiro degrau da escada que pode leva-los a se tornarem ricos.

Esse é o lema do programa Bolsa Família, projeto aplicado no Brasil e respeitado no mundo inteiro.

É um exemplo de que o dinheiro não serve apenas para consumir.

O dinheiro ajuda a organizar as vidas dos ricos e dos pobres.


A ESTRATÉGIA CHINESA DO “SOFT POWER”

Aprendi, ao estudar estratégia militar, que o chamado Poder Nacional compõe-se de quatro elementos: o poder militar, o poder econômico, o poder político e o poder psicossocial.

A expressão psicossocial é antipática, porque ela era muito usada pelo General Golbery e pela comunidade brasileira de Informações do SNI ( o Serviço Nacional de Informações ) de tristes lembranças. Melhor é soft power , termo criado por Joseph Nyes e por ele divulgado na edição de 2004 de seu livro “The means to sucess in World Politics” da qual, agora, Xi Jinping usa e abusa no seu longo discurso no Congresso do Partido Comunista chinês, traduzida – corretamente, aliás – por “poder brando”.

Pois bem: soft power é um dos elementos do Poder Nacional e um dos instrumentos da Estratégia Nacional, que estuda o confronto internacional de dois poderes nacionais.

Por que razão Xi Jinping decidiu usá-lo? Vou tentar responder.

Nos itens poder militar e poder econômico – que são relevantíssimos, sem dúvida – os Estados Unidos são maiores do que a China. Mas em poder político e em poder brando a disputa está tendendo para o lado da China.Mesmo sem ser comunista – nem mesmo socialista – mas não sendo, obviamente, anticomunista ( porque isso, no fundo no fundo, é uma versão mitigada de qualquer nazismo ) é fácil perceber que o lema “American First” (de inspiração nazista, aliás ) pode ser lido como algo patriótico pelos norte-americanos truculentos ou ingênuos que votaram no Trump, mas é percebido pelos outros povos ( inclusive o nosso ) como sendo, ao contrário,  “A América por Último,” pois todos aprendemos que, em primeiro lugar, devemos “adorar” ( salvo seja ) a nossa própria Pátria.

Com Barak Obama era diferente, já que ele era só poder brando. Mas na era Trump esse elemento do Poder Nacional americano desapareceu por completo. Ou estou errado?

Quando ao Poder Político, a mesma coisa.

Embora possamos não gostar da solução do Partido Único chinês não há dúvidas de que a coesão política na China, hoje, é centenas de vezes maior do que a dos Estados Unidos. Desde os tempos do bipartidarismo os Estados Unidos já estavam mais ou menos divididos ao meio, pois os Independentes nunca chegaram a ameaçar qualquer dos dois lados. Com o Tea Party, porém ( de inspiração fascista ), a Sarah Palin e seus companheiros destronaram os conservadores republicanos, substituindo-os por um grupo de fanáticos ( entre outras coisas supremacistas brancos  ) que desmoralizaram os ricos tradicionais que dominavam o Partido Republicano.

Agora, depois que o nazista Steve Bannon foi buscar o desqualificado Donald Trump para colocá-lo na Casa Branca, as divisões vão da cúpula da Administração até as mais profundas bases populares norte-americanas. Se eu consigo ver isso imaginem Xi Jinping e os intelectuais chineses?

O momento de lançar o programa internacional – que tem até um nome, “Força Unida” ou algo assim – era justamente este. Porque não interessa a ninguém uma guerra quente entre os Estados Unidos e a China( embora ela não seja impossível, já que há muita gente doida governando o e sendo governada no mundo ) e uma Guerra Fria exige união nacional ( isto é, Poder Político ) que os Estados Unidos tiveram no tempo do ator Ronald Reagan mas não tem mais nesta era do animador de auditório Donald Trump.

Dirão vocês: precisamos ser contra.

Mas contra o quê, e a favor de quem? Só se for com base numa convicção anticomunista.Será, porém, que tem ainda algum sentido, se é que já teve,  ser anticomunista? Além disso, o que os chineses querem exportar não é o comunismo, mas o socialismo de mercado do tipo chinês, moderno e moderado, embrulhado no poder brando. É evidente que a mídia ocidental vai publicar – como já está fazendo – uma porção de artigos alertando para os perigos da China, etc. etc. Terão esses militantes midiáticos alguma chance de sucesso?

Pensemos nisso, para não sermos enganados e engolidos, mais do que já estamos sendo. Assim como os chineses, legitimamente a meu ver, buscam inspiração na sua tradicional e respeitável cultura de 5.000 anos devemos ir atrás da nossa e, como recomendava Kant, sapere audem ( ousar saber ) ao invés de passar o dia se divertindo apenas com joguinhos eletrônicos, vídeos engraçados e séries de violência na TV.

Precisamos conviver com as diferenças e defender valores essenciais à nossa vida, como a Paz e a Democracia. Além da tolerância, que embora comece com “T”, não é bem a praia do Trump….


OS ESTADOS NACIONAIS JÁ NÃO EMITEM A SUA PRÓPRIA MOEDA

O movimento inglês “Positive Money” conduz uma bandeira peculiar: ele defende que os estados nacionais ( a começar pelo Reino Unido ) voltem a emitir as suas respectivas moedas, função que eles, na prática, transferiram para os bancos privados.

Essa questão pode parece esotérica para o leitor brasileiro que ignora, até mesmo, o que é a sua moeda nacional ( o que não acontece com os ingleses, que prezam a libra). Aqui no Brasil, por uma deformação cultural provocada pela ditadura militar a partir de 1964, os brasileiros pensam que o Real é uma “abstração” pois o que vale, mesmo, é o seu respectivo  poder aquisitivo.

Acontece que a transferência, de fato, do poder de emitir – expressão da soberania monetária nacional – do Banco Central para os bancos privados pode ser, efetivamente – como argumenta o “Positive Money” –  prejudicial, porque o aumento do meio circulante é baseado na criação da divida, pública e privada.

O “Positive Money” promoveu, há dias, uma pesquisa de opinião entre os membros do Parlamento britânico, que concluiu que 85% deles não têm ideia do que efetivamente ocorre com a emissão monetária no Reino Unido.

O pior de tudo, diz o “Positive Money”, é que o dinheiro emitido não vai para as atividades produtivas mas, sim, para as hipotecas, aumentando a dívida das famílias, o que provocará, segundo eles, mais cedo ou mais tarde, uma outra grande crise financeira.

Você, leitor, sabe fazer a distinção entre moeda e crédito? Sabe o que são os famosos derivativos? Sabe o que os nossos 6 bancos ( 2 públicos e 4 privados ) que constituem o oligopólio financeiro no Brasil, fazem com o dinheiro que emitem, em nome do Banco Central? Sabem que além do Bitcoin há cerca de 1.100 ditas “moedas virtuais” circulando na Internet ( e que elas são, no fundo, moedas falsas,tal como previsto expressamente no Código Penal,  porque imitam o dinheiro estatal, sem sê-lo ).

Procurem conhecer esse movimento inglês, “Positive Money”. Ele nos ajuda a responder a uma indagação que passou a ser fundamental nos dias atuais: o que é o dinheiro?


O SOCIALISMO TERÁ MORRIDO?

O artigo do Senador Cristovam Buarque, “Filosofia da Construção”, hoje publicado no Globo, dentre os problemas do mundo aponta um que não é bem assim: o fracasso do socialismo.

Na nossa geração, do Senador e minha, dizia-se que o mundo marchava para o socialismo, o que se revelou, na prática, um exagero. Mas é também um exagero, data venia ( com o perdão do juridiquês ) afirmar que o socialismo morreu.

Mesmo se desconsideramos a social democracia europeia, que ainda resiste bravamente diante as investidas da direita e da extrema-direita; ainda que abominemos o radicalismo da Coréia do Norte e desprezemos o periclitante socialismo bolivariano da América Latina, não podemos ignorar o socialismo de mercado da China que o Presidente Xi Jinping está querendo exportar para o resto do mundo,  num exercício estratégico soft power que a truculência de Donald Trump tornou inviável de continuar a ser praticada pelos Estados Unidos.

Poderá o Senador Buarque afirmar que o socialismo morreu quando um bilhão e trezentos milhões de pessoas estão submetidas a uma organização unitária e poderosa como o Partido Comunista da China justamente dispostas a preservar e expandir o modo marxista-leninista de disciplinar a política, prestigiando as classes desfavorecidas?

É muito interessante a proposta de “Construção” – a “Filosofia da Construção” – do eminente Senador, um dos poucos políticos brasileiros atuais que merecem o nosso respeito e admiração. Mas ela não pode abstrair-se do fato que o socialismo não morreu mas, pelo contrário, está mais vivo do que nunca.

A meu ver, a forma de lidarmos com essa realidade – quer gostemos dela ou não – é constatá-la, respeitá-la, e defender a democracia, tão relevante para nós brasileiros que quase a perdermos em 1964 e voltamos a estar ameaçados de perder de novo com esses grupos políticos do tipo do “Vem pra Rua” do “Movimento Brasil Livre” ( dentre tantos outros ) que querem restaurar a autocracia entre nós.

Creio que é isso o que as novas gerações esperam de nós.