PACTO DE SANGUE

Parece manchete de tablóide popularesco ou título de filme italiano de caubói mas é o título de primeira página de hoje do Globo referindo-se a uma metáfora de Antônio Palocci, entregando Lula, para definir o acordo do PT com Emilio Odebrecht que desvenda uma aliança público/privada que parece estar sendo desmontada no Brasil, para alívio de todos nós.

O mau caráter de Palocci, somado à incompetência técnica de Mantega, impediram que o processo de construção de uma moeda nacional soberana, iniciado pelo Plano Real, prosseguisse. Faltou à esquerda brasileira compreender, no momento certo, que promover o fortalecimento da moeda nacional não era um pecado, mas uma virtude: que o dinheiro não é algo sujo mas respeitável, sem o qual não há nação civilizada que sobreviva, pelo menos desde quando a primeira moeda foi cunhada pelos lídios no século VII a.C.

Já transcrevi – mas transcrevo de novo – a advertência de Thomas Piketty no final do seu livro O Capital no Século XXI:

“Mas me parece que os pesquisadores em ciências sociais de todas as disciplinas, os jornalistas e comentaristas, os militantes sindicais e os políticos de todas as tendências e, sobretudo, todos os cidadãos, deveria se interessa com seriedade pelo dinheiro, por sua medida, pelos fatos e pelas evoluções que o rodeiam. Aqueles que possuem muito nunca se esquecem de defender seus interesses. Recusar-se a fazer contas raramente traz benefícios aos mais pobres.”

Creio que as declarações de Palocci ajudam a inviabilizar a candidatura de Lula à presidência da República em 2018, o que era, a meu ver, o propósito dos interessados em obtê-la e divulga-la. Ainda assim, esses fatos devem servir de lição para um partido que, ao reestruturar-se, deve passar a preocupar-se mais seriamente com as questões monetárias, consciente de que o dinheiro não nasce nas árvores.


1 comentário até agora

  1. letacio setembro 9, 2017 1:22 pm

    Pelo que li nos jornais os Procuradores da República não consideraram que as denúncias de Palocci contenham novidades importantes que justifiquem a celebração de um acordo de delação premiada. Isso pode significar que Palocci ganhou, apenas, a fama de traidor ( pelos petistas ) sem o esperado proveito de ter mitigada a sua pena.

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