A LEI DE GARRINCHA

Mais conhecida é a Lei de Gerson; mas tem, também, a do Garrincha que perguntou ao técnico se aquela estratégia já tinha sido antes combinada com o time adversário. Tudo isso me veio à lembrança depois que eu li o artigo escrito por Bill Emmott, ex-editor chefe do The Economist – não é qualquer zé mané, não – que sugeriu à China que invadisse militarmente Coréia do Norte para destronar o ditador Kim. Com essa invasão, segundo Bill,  a China obteria uma importância estratégica igual a dos EUA.

É verdade que o “The Economist” – não sei se na época em que Bill era o editor-chefe da revista – apoiou, com entusiasmo, a guerra do Iraque, ou seja, eles talvez sejam mesmo um bando de ecônomo-belicistas sem-noção. De qualquer modo, a publicação desse artigo – endossado pelo Project Sydicate, que me parece um grupo respeitável e traduzido para o português para o Valor – evidencia uma certa alucinação coletiva. Considero errada essa visão bélica da geopolítica. Além de arriscada, pois uma guerra entre potências atômicas pode servir para destruir o Planeta.

É claro que o ditador Kim é temerário e está jogando, ele também, uma partida muito arriscada, em que parece contar com a fraqueza atual do Executivo norte-americano, que tem na Casa Branca um presidente confuso e despreparado que dificilmente uniria em torno dele as forças armadas dos Estados Unidos e seu povo. Isso, porém, é também um risco.

A solução, a esta altura, no curto prazo, é admitir a Coréia do Norte no clube das potências atômicas e negociar o congelamento dos seus experimentos nucleares. Quanto aos jornalistas, eles devem conter seus ímpetos guerreiros, especialmente quando suas famílias não moram na Coréia do Sul nem no Japão – nem em Pyongyang ou Pequim – como certamente é o caso dos parentes desse Bill Emmott….


1 comentário até agora

  1. Luiz Philippe setembro 6, 2017 3:09 pm

    Observações muito judiciosas ..

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