DESINDEXAÇÃO TOTAL EM 2019

O professor Paulo Rabelo de Castro, a propósito da criação da Taxa de Longo Prazo, que atrela a taxa de juros à variação do IPCA, declarou que “o Brasil deve partir em 2019 para a desindexação absoluta da Economia” e fez uma outra afirmação irrespondível :  “o IPCA não é moeda”.

Temos, enfim, no governo alguém com uma linguagem clara, um propósito definido, dizendo, sem meias palavras, o que deve ser dito, o que os outros parece terem medo de falar.

Não se trata de ser de direita ou de esquerda: a moeda nacional, como a Lei, deve estar acima das ideologias.

A correção monetária tem sido a causa, imediata ou remota, dos transtornos fiscais que estamos vivendo, que vieram se agravando à medida que o Plano Real fracassava e hoje revela uma tragédia à vista de todos: 14 milhões de desempregados, recessão, inflação e taxas de juros ( embora em queda ) ainda elevadas. Quanto ao Rio de Janeiro, nem falar.

Um dos efeitos daninhos da correção monetária – que, por ser discricionária e compulsória, é incompatível com a visão liberal pró-mercado, que exalta a competição e a eficiência – manifesta-se na atual discussão recorrente sobre os “tetos” remuneratórios. Será que ninguém percebe que só existe “teto” porque há reajustamentos compulsórios? Porque, de fato, a nossa moeda, há algum tempo, não é o Real, mas o IPCA !

A atual redução das taxas de juros está sendo o único alívio efetivo de uma Economia em crise – mesmo porque os juros deixaram de ser acessórios das dívidas e, a partir da TR,  tornaram-se, elas também, indexadores compulsórios.

A ordem monetária – que pode ser figurada como uma pirâmide, em cujo ápice deve situar-se a moeda nacional, como fundamento de todos os créditos – foi virada de ponta cabeça com a correção monetária e deve ser reposta em seu devido lugar.

Felicito, portanto, o professor Paulo Rabelo de Castro por suas corajosas declarações.


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