MAIS QUE UM DEFEITO DE REDAÇÃO

Em todas os documentos através dos quais o Banco Central do Brasil comunica-se com o público – inclusive as suas inúmeras páginas na Internet – figura o slogan de que a missão do órgão é “assegurar a estabilidade do poder de compra da moeda e um sistema financeiro sólido e eficiente.”

Essa é, sem dúvida alguma, a característica oficial da entidade, aquela que o BACEN quer apresentar como a sua imagem.

Mas isso não está certo.

O correto seria dizer que a missão do Banco Central consiste em assegurar a validade da moeda nacional e manter a estabilidade dos preços.

O poder aquisitivo – ou, mais exatamente, a variação do poder aquisitivo – é mero instrumento estatístico auxiliar na medição da alteração dos níveis desses preços quando, num determinado espaço de tempo, eles se tornam instáveis.

A ênfase na noção equivocada de poder aquisitivo – como se ele fosse o conteúdo real dos valores – leva a grande maioria das pessoas a considerar a moeda nacional como uma abstração, ou seja, conduz a um resultado diametralmente oposto ao que deve ser o objetivo do Banco Central.

Mais do que um defeito de redação podemos estar diante de uma falha conceitual perniciosa capaz de evidenciar a fragilidade congênita do moderno sistema monetário brasileiro, inaugurado – como o próprio Banco Central – em 1964.


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