O PERIGOSO TERRENO DA GALHOFA

Continuo  convencido de que Donald Trump não é uma piada; ainda assim os jornais noticiam fatos ocorridos na Casa Branca que mais parecem galhofas, a despeito de serem perigosas.

A primeira notícia versa sobre a reação dos chefes militares norte-americanos à intenção do Presidente de excluir indivíduos transgêneros das Forças Armadas sob a alegação, divulgada num Twitter, de que eles custam muito caro, pelos cuidados especiais e eventuais cirurgias de mudança de sexo que exigem. Esse fato é descrito em detalhes no Globo de hoje, numa reportagem sob o título “Chefe militar dos EUA ignora Trump”, em que há uma declaração em “off” de um oficial de alta patente afirmando que “nas Forças Armadas as ordens não são transmitidas através de twitters.”

A segunda é a declaração de Anthony Scaramucci ( novo Diretor de Comunicações do governo ) sobre Reine Priebus ( Chefe de Gabinete do Presidente ) e Steve Bannon ( Estrategista chefe de Trump ). Em seus comentários de ontem, na Televisão, Guga Chacra comentou o assunto com sarcasmo mas se absteve de mencionar, expressamente, os palavrões que tinha sido usados no contato telefônico de Scaramucci com Ryan Lizza, do New Yorker. O Globo, porém, transcreve, explicitamente, os termos empregados nessa conversa, que são do mais baixo calão, inimagináveis, “choses de loque”, como dizia, numa época, o Jô Soares.

Como já vivemos, num tempo passado, a era do “K” – Kennedy, Kubitschek – estamos, presentemente, na era do “T” – Trump e Temer. Do jeito que as coisas estão caminhando o primeiro “T” vai cair antes do último que é até capaz, segundo alguns analistas políticos, de permanecer no poder e passar o bastão a seu sucessor.


2 comentárioss até agora

  1. josé neves julho 28, 2017 8:34 pm

    Na letra K não podemos esquecer de Kruschev, que além de sapatadas na Assembleia da ONU afirmou que “políticos são iguais em todo lugar. Eles prometem construir pontes mesmo onde não há rios.” … (Veja mais em https://educacao.uol.com.br/biografi/nikitakruschev). O que afinal,depois de preços e sobrepreços, é melhor do que construir muros, diria o Papa Francisco.

    Na letra T, embora fora de época não pode ser esquecido o histriônico Tony Blair, responsável pela prematura e indevida participação do Reino Unido na guerra do Iraque e que, após as investigações de praxe, que concluíram por sua desastrada atuação, assim se manifestou: “Expresso pena, arrependimento, e peço desculpas pelo que vocês nunca saberão ou imaginarão”, escreveu em uma mensagem divulgada após a publicação dos resultados de uma investigação oficial muito crítica em relação ao envolvimento britânico nesse confronto.”Peço humildemente que o povo britânico aceite que tomei aquela decisão porque achei que era a correta, baseando-me na informação de que dispunha. Peço que as pessoas se coloquem no lugar de um primeiro-ministro”, disse ainda, recordando que o regime de Saddam Hussein “era capaz de realizar ações imprevisíveis e catastróficas”.
    Na época, o principal argumento do premiê era que Saddam Hussein representava uma ameaça imediata ao Reino Unido devido ao seu suposto arsenal de armas de destruição em massa. Posteriormente, concluiu-se que as armas nunca existiram.O diplomata John Chilcott, que coordenou a investigação sobre o conflito, apontou que a invasão do Iraque se baseou em justificativas legais “insatisfatórias” e em um serviço de inteligência falho apesar de sinais claros de que não havia planejamento suficiente para estabilizar o país no pós-guerra.”(http://g1.globo.com/mundo/noticia/2016/07/tony-blair-diz-que-se-arrepende-da-guerra-no-iraque-e-pede-desculpas.html)

    Algo para inspirar o procedimento de seu companheiro brasileiro da letra T – após as investigações de praxe. Mas então já será tarde demais… teremos entrado em luta de classes que não será superada sem cicatrizes, e tudo para derrubar – quem mesmo? – enfim, alguém que ‘era capaz de realizar ações imprevisíveis e catastróficas ‘…

    E la nave va (ah Felini, se estivesses presente…) ao som da letra sutil do Povão, aqui representado pela São Clemente, no samba-enredo Onisuaquimalipanse (2017):

    “Contam que o governante de um país
    Dançava as noites tão feliz
    E brincava mascarado
    Do zum zum do carnaval
    Bailou como o astro-rei de um poema
    Ao final da cena
    Houve aclamação geral

    O sol a partir desse tal dia
    Ganhou a honraria de símbolo real

    Daí então o ministro do tesouro
    Ergueu a peso de ouro
    Um palacete e convidou
    O soberano que encantou-se nos jardins
    Com a beleza se mirando nas águas do chafariz
    Foi assim que descobriu nessa festança
    Que havia comilança em sua pátria mãe gentil

    Chega ao fim tanta cobiça
    Quem levou não leva mais
    Majestade da justiça
    Palavra de rei não volta atrás

    Usando a mesma régua e o mesmo traço
    Construiu-se outro palácio
    De imponência sem igual
    Ecoam pelos ares de Versalhes
    Os acordes de um baile suntuoso e triunfal

    A coroa do sol vem me coroar
    Alumiou, deixa alumiar
    Que hoje o rei sou eu
    Brilhando com a ginga que o samba me deu.”

    Visivelmente inspirada naquele que teria dito ‘Après moi le delubio’,digo ‘le deluge’, mas cheia de significado e graça, mostrando nada existir de novo debaixo do sol e que ‘quem tem razão tem razão, mas quem não tem razão também tem razão’, lição de Cartola a ser duramente aprendida por nossa Justiça pelo pior dos caminhos.

    A propósito, Scaramouche não era aquele fazedor de reis, desvirtuado por Rafael Sabatini e por um filme americano de baixa qualidade (1952), mas na verdade personagem da commedia dell’arte italiana, bufão covarde e cheio de empáfia onde era constantemente superado por Arlequim? Mas de quem estamos falando? Afinal quem é o ‘mamarracho y cocoliche”?
    Desculpem, temo que estamos enveredando pelo escorregadio e perigoso terreno da galhofa…

  2. letacio julho 31, 2017 6:34 pm

    Hoje, dia 31 de julho, o Diretor de Comunicações da Casa Branca caiu. O governo norte-americano está à deriva, o que é, para mim, um motivo de grande preocupação.

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