E SE OS ECONOMISTAS ESTIVEREM ERRADOS?

Parece, na verdade, que eles estão e é isso o que afirma, educadamente, André Lara Resende, na entrevista de hoje a Cássia Almeida, do Globo, sob o título (aliás equivocado) “Verdadeiro Vício é a dependência do Estado”. Não estão errados, apenas, os nossos economistas brasileiros, mas os economistas em geral, especialmente os mais poderosos deles, norte-americanos, com quem a turma daqui aprendeu tudo o que … não sabe.

Lara Resende está publicando um livro tentando demostrar isso. Trata-se de uma constatação assombrosa: se os economistas estão errados, todos esses jornalistas econômicos que ocupam tanto espaço da mídia ensinaram-nos coisas que não eram certas durante anos e anos, embrutecendo-nos.

Diga-se de passagem que eles – economistas, analistas e jornalistas econômicos – com os seus equívocos, fizeram ( no jargão da esquerda ) o jogo da classe dominante, que ficou cada vez mais rica, às custas do povão, que ficou cada vez mais pobre. O problema é que até os ricos estão começando a pagar o preço desses erros que, por outro lado, geraram alguns monstros que ameaçam devorá-los como, por exemplo, o Brexit e Donald Trump ( sem falar na recessão brasileira que atinge as empresas em geral ).

Pegando uma carona no discurso de André gostaria de lembrar um texto publicado neste Blog, “Questionando o conceito de valor de troca”, onde tento situar a raiz das falhas da Análise Econômica mainstream na noção de valor de troca, de Adam Smith, inspirada em Aristóteles. O fulcro do engano está na afirmação de que a troca teria antecedido a moeda e que a essência do dinheiro estaria no seu poder aquisitivo. Esse defeito, que foi agravado, posteriormente,  por Menger e Von Mises, contaminou a doutrina econômica até hoje o que André Lara Resende está tendo o mérito de denunciar.


POR QUE NÃO TER UM DIREITO MONETÁRIO?

É o caso de aplicarmos à espécie a lição dos primeiros versos do “Poema enjoadinho” de Vinicius de Moraes que, em geral, sabemos de cor: “Filhos…  Filhos?/ Melhor não tê-los!/ Mas se não os temos/ Como sabê-lo?

Será muito útil termos um Direito Monetário para saber se não devemos tê-lo. Por que, então, as Faculdades de Direito – pelo menos – não o tem, ainda, em seus currículos?

Creio que não há País, no mundo atual e na História Universal, que tenha tido tantas Reformas Monetárias como as que tivemos de 1964 até hoje: Cruzeiro Novo, Cruzado, Cruzado Novo, Cruzeiro, Cruzeiro Real e Real, nenhuma das quais ainda deu certo. Como fazer tantas Reformas Monetárias sem conhecer Direito Monetário? Foi por isso que elas deram errado.

Por sermos ignorantes nessa matéria criamos, ao lado da moeda, um instrumento financeiro chamado correção monetária que, por sua vez, exigiu várias Reformas Financeiras, a saber: ORTN, OTN, URP, BTN, TR, URV, SELIC e todas vinculadas a índices, esses, então, infinitos: IPC, IGP, IPC-A, INPC, etc. etc. e não cessam de nos atormentar.

Tenho a certeza de que as nossas crises financeiras decorrem do nosso desconhecimento do Direito Monetário. Por que não tê-lo?


O COMPORTAMENTO NAZISTA DE DONALD TRUMP

Não sei se posso falar num comportamento – ou numa conduta – nazista, pois o nacional-socialismo foi uma modalidade de fascismo que triunfou na Alemanha em meados do Século XX, sob a liderança de Adolf Hitler, passível de ser observado sociologicamente e, quando se fala em comportamento, estamos empregando uma categoria psicológica.

De qualquer modo, é assustador comprovar, a cada dia, como está ameaçada a democracia norte-americana, o que é objeto do livro do professor de Yale, o historiador Timoty Snyder, cujo título é “Sobre a Tirania”, que acaba de ser publicado no Brasil pela Companhia das Letras, em tradução de Donaldson M. Garschagen.

Ontem, chamou-me a atenção a declaração de Trump de que estava desconstruindo a política de aproximação dos Estados Unidos com Cuba tendo em vista a desobediência aos Direitos Humanos por parte do regime cubano, o que me pareceu uma declaração contraditória e mentirosa, não só porque Trump apoia ostensivamente o presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, que desrespeita os Direitos Humanos –  empregando esquadrões da morte para promover o assassinato de criminosos suspeitos ( do que já resultaram milhares de mortes ) – como a própria política migratória de Trump nada tem de humanitária.

Os fatos de o presidente Trump não disfarçar as contradições de suas declarações e de mentir deliberada e escancaradamente não decorre, apenas, de seu histrionismo mas do que estou denominando seu comportamento nazista. Quando, por exemplo, ele disse depois de desligar a América do Norte do Acordo do Clima de Paris  que“ ninguém mais irá rir de nós” ele repetiu a mesma frase que Hitler proferiu ao denunciar o Tratado de Versalhes: “ninguém mais irá rir de nós”.

É preciso, pois, pesquisar de onde provém essa conduta nazista de Trump e nada melhor,  do que assistir, no YouTube ao documentário de 54,47  minutos, postado em 23 de maio de 2017, “Bannon’s war frontline documentary” que segue os passos de Steve Bannon, a versão atual do Goebbels norte americano, desde o momento em que foi buscar um candidato à presidência que tivesse certas características  tais como “adesão à cleptocracia, ao nepotismo e a uma política externa alinhada com outros autocratas.”

Temos a falsa impressão de que as instituições democráticas norte-americanas são extremamente sólidas e capazes de resistir a Turmp mas Timoty Snider nos adverte de  que “o argumento da força das instituições é uma balela.” Devemos estar alertas, portanto, para o fato de a presidência dos Estados Unidos ser ocupada, no momento, por uma pessoa de comportamento nazista. Por mais que seja lamentável constatar isso é importante sabermos desde logo, o que ocorre, para poder exigir das autoridades brasileiras que ajam cientes desse fato.


DESINFLAÇÃO & DESINDEXAÇÃO

Ao lado de várias Reformas Monetárias – do Cruzado, do Cruzado Novo, do Cruzeiro, do Cruzeiro Real e do Real – o Brasil passou por várias Reformas Financeiras: a da ORTN, a da OTN, a do BTN, a da TR e, por último, a da Selic, estas últimas vinculadas à variação dos níveis de preços, que mede a inflação num determinado período; ou, dizendo de outra forma, o poder aquisitivo, no Brasil consiste, de forma anômala, em fundamento de uma ordem espúria, que nos está levando à crise sem fim pela qual estamos presentemente passando.

Considerando isso – ou seja, que o poder aquisitivo do crédito é o fundamento de um corrompido sistema – diminuir a meta de inflação é desindexar a Economia. A redução, a ser promovida, segundo os jornais, na reunião do próximo dia 29 de junho pelo Conselho Monetário Nacional será de 0,25% o que é pouco mas sinaliza que o atual presidente do Banco Central, que vem baixando os juros, tem a sensibilidade necessária para tentar consertar o estrago que a correção monetária provocou em nosso País.