DEMOCRACIAS IMPERFEITAS

Quem lê este Blog sabe que sempre fui contra adjetivar a democracia. Os soviéticos, por exemplo, diziam professar uma democracia popular, quando eram uma autocracia. Os neo liberais, por sua vez, falam em democracia econômica e usam a concentração de renda para aumentar cada vez mais as desigualdades sociais. Democracia, portanto, pensava eu, é democracia apenas e ponto.

Por outro, tinha constatado, ao longo da vida, que muitos amigos meus brasileiros, inteligentes e bem informados, não conseguiam definir, sequer, o que é democracia, e eu devia explicar: ela existe quando há um Parlamento em funcionamento; caso contrário, é uma autocracia.

Acabei, contudo, de ser informado –   lendo um artigo da jornalista Dorrit Harazim no Globo, intitulado “Justiça, democracia, eleições”-  que a Economist intelligence Unit dispõe de uma tecnologia que lhe permite  estudar o funcionamento de 167 governos de países no mundo e publicar anualmente uma classificação, sob o ponto de vista da eficácia, de democracias mais ou menos perfeitas.

Ora, dizer que uma democracia é imperfeita parece-me uma definição aceitável que não desfigura o conceito.

O ruim, dessa história, é que os Estados Unidos, neste momento, passaram a integrar o ranking das 51 imperfeitas, do qual o Brasil, infelizmente, há algum tempo já faz parte.

Voltei, há poucos dias, dos Estados Unidos, onde pude sentir, pessoalmente, o mal que o presidente Trump está fazendo e é capaz ainda de fazer à sociedade norte-americana, nas grandes e pequenas coisas. É incrível perceber que pessoas de pensamento nazista, como Steve Bannon, estão fazendo a cabeça de um canalha que ocupa o principal cargo na cúpula da Administração da nação mais poderosa do mundo.

Aqui, no Brasil,  embora ainda inexpressivo no cenário internacional, o esquema de corrupção financeira, envolvendo empresários e políticos, que se aliavam e aliam a fim de promover empreendimentos e serviços, muitas vezes desnecessários e sempre superfaturados, tornou-se uma vergonha escancarada.

Houve tempo em que a letra K estava em moda: Kennedy, Khrushchev, Kubitschek. Atualmente é a letra T: são Trump e Temer, no comando, respectivamente, de duas democracias imperfeitas…

Que pena!


1 comentário até agora

  1. Luiz Philippe junho 12, 2017 1:58 pm

    Muito bom artigo! Meus cumprimentos!

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