FALTA DE PREPARO PROFISSIONAL DOS POLICIAIS DO RIO DE JANEIRO

É triste e lamentável ouvir sempre as mesmas queixas dos favelados de que moradores foram atingidos porque a polícia já entrou na comunidade atirando o que denota uma evidente falta de preparado profissional do policial que, tenso e eventualmente amedrontado diante do desconhecido, dispara suas armas a esmo, ferindo e matando, também, pessoas inocentes, tal como acabou de ocorrer no morro da Mangueira.

Parece simples: o Secretário de Segurança do Estado, e os instrutores, devem recomendar aos policiais que nunca procedam assim.

Ainda somos, socialmente, um País atrasado, que parece não ter superado a  cultura da época da  escravidão, quando a vida humana era um bem desprezível. Precisamos dar um passo adiante para ultrapassar essa estagnação histórica. Os agentes policiais são também responsáveis por essa necessária evolução.


COLOCADO NA ILEGALIDADE

A minha percepção é de que o presidente Michel Temer foi colocado na ilegalidade pelo Ministério Público. É certo que a denúncia da Procuradoria Geral da República ainda precisa ser recebida, que a Câmara dos Deputados ainda precisa autorizar a instauração  da ação penal, que o processo ainda precisa  chegar à condenação final e que todas essas etapas estão sujeitas ás avaliação e ingerência políticas. Ainda assim o efeito de uma denúncia formal contra Temer foi devastador.

O jurista Hans Kelsen, em seu livro  “A Paz através do Direito” ( “La paz por medio del derecho”, Buenos Aires, Editorial Losada, 1946, p. 51 ) dá-nos uma de suas lições magistrais ao afirmar:

“A ideia do Direito, apesar de tudo, parece ainda ser mais forte do que qualquer outra ideologia de poder.”

Acreditando na força da ação política o presidente Temer decidiu confrontar o Ministério Público Federal, fazendo acusações a um ex Procurador da República que se demitiu da função para trabalhar num escritório privado de advocacia e estendendo tais acusações, por meio de insinuações ( ou ilações, nas suas palavras) ao próprio Procurador Geral, que assinou a denúncia contra ele. Acontece que o Ministério Público tem autoridade para acusar alguém da prática de crime que o político não a tem: o que foi, por sinal, o sentido da sintética nota publica de esclarecimentos de Marcelo Miller.

Os políticos brasileiros têm, a meu ver, o cacoete de pensar que tudo, no final das contas, pode ser politizado. Não é bem assim. Temer foi posto na ilegalidade e sua queda, a partir de agora, tornou-se iminente, por mais que ele ainda acredite na possibilidade de reverter a situação a seu favor.


OS RUSSOS ESTÃO CHEGANDO


A repórter Maria Cristina Fernandes, do Valor, que está acompanhando Temer na sua viagem à Rússia, publicou relevante matéria sob o título “Putin, o parceiro ideal de Temer”, em que ela relaciona os importantes Atos e Tratados celebrados entre o Brasil e os russos, dentre eles os seguintes:

Reiterando o compromisso com o Acordo de Paris de combate às mudanças do clima;

Reforçando a ênfase no multilateralismo nas relações internacionais;

Prevenção de Armas Nucleares;

Eventual possibilidade de construção de novas usinas nucleares no Brasil;

Forte apoio à conquista, pelo Brasil, de uma cadeira permanente no Conselho de Segurança;

Parceria chave com o Brasil na América Latina

Estudos para usar o Real e o Rublo nas trocas comerciais entre os dois países ao invés do dólar;

Perspectivas de lançamento conjunto de foguetes espacial da Base de Alcântara.

Enquanto os Estados Unidos fica se debatendo diariamente para tentar administrar o caos decorrente da vitória de Trump nas eleições presidenciais a Rússia põe em prática uma competente realpolitik de dar água na boca.


STEFAN ZWEIG E HANS KELSEN

Assisti, ontem, ao filme “Stefan Zweig, Adeus Europa”, que, afora a emoção que me causou – porque meus pais foram leitores de seus livros, famosos na época, embora depois um pouco esquecidos – lembrou-me de outro escritor de língua alemã, também nascido em 1881, que viveu as amarguras que Hitler causou ao mundo, especialmente aos intelectuais europeus.

Diferentemente de Kelsen, que – mesmo sendo o maior jurista de seu tempo não era uma celebridade – Zweig, por onde passava, era assediado pela Imprensa, diante da qual sempre manteve uma posição de cautela, evitando condenar, de público, a sua pátria natal, o que é mostrado com muito critério no filme. Ao contrário de Zweig, que cometeu suicídio em sua casa em Petrópolis – sobre o que Alberto Dines escreveu um livro excelente – Kelsen faleceu de morte natural, em Berkeley, nos Estados Unidos, com 92 anos de idade. Ambos eram, contudo, pacifistas e dedicaram parte de suas vidas a defender a união da Europa, que foi concretizada, parcialmente, através da moeda única que começou a circular em 2001.

Kelsen e Zweig  foram compelidos a se exilar porque eram intelectuais judeus. Kelsen não veio para o Brasil – para onde vieram poucos escritores, como Carpeaux e Ronai e os juristas Liebman e Ascarelli – e preferiu os Estados Unidos que era, naquele tempo, o refúgio da inteligência, a mesma que causa arrepios aos neo-nazistas que ocupam atualmente a Casa Branca.

A direção do filme é de Maria Schrader que também assina o roteiro, em coautoria com Jan Schomberg. A película foi rodada, em grande parte, em São Tomé e Príncipe – cuja paisagem simula bem a da Bahia e de Petrópolis, no Rio de Janeiro – e conta com a participação de codiretores e artistas lusófonos, dentre os quais anotei o nome de um Ruy Guerra, que não sei se é o nosso bem conhecido dos brasileiros.

A nova geração de classe média – que anda tão empolgada pelo discurso de direita – deve assistir a esse filme que evidencia a tragédia provocada pelos extremistas de sua ideologia. O Brasil, que Zweig percebeu ter as condições de ser um país pacífico e harmonioso, pode perder essas características positivas, se o ódio continuar a ser alimentado, como está sendo, em gotas, todos os dias.