A FINALIDADE DA CORREÇÃO MONETÁRIA SEGUNDO CHICO DE OLIVEIRA

Folheando o livro do conhecido sociólogo Francisco de Oliveira, intitulado “A Economia Brasileira: Crítica da Razão Dualista”, coeditado pela Vozes, de Petrópolis, e pela CEBRAP ( 4ª edição, 1981) li o seguinte comentário dele sobre a correção monetária:

“O sistema, em sua expansão, tem usado de expedientes diversos, táticos e tópicos – característica aliás que se objetiva na falta de uma tentativa de política econômica global e no manejo “hábil” de políticas específicas, o que para alguns é um sinal de “capacidade técnica” do Governo mas que na verdade é um sintoma de sua incapacidade – com a pura finalidade de evitar um colapso que procede do seu próprio dinamismo. Tais táticas tópicas revelam-se no subsídio à exportação, como expediente para resolver a crise dos chamados setores “tradicionais”, na manutenção da correção monetária, que é uma forma disfarçada de inflação necessária para manter a reprodução ampliada; …”( grifos no original )

O sociólogo da USP, hoje aposentado, escreveu isso em 1972, muito antes do Plano Cruzado de 1986 – que visou acabar com a indexação compulsória – e de seus fracassados sucessores até o Plano Real, de 1994 que, agora, cerca de um quarto de século depois, também malogrou.

Quando Roberto Campos, cujo centenário de nascimento está sendo comemorado por esses dias, através da Lei n. 4.357, de 1964, impôs a ORTN como uma forma de a economia brasileira “conviver” com a inflação, estava aplicando a tática denunciada por Chico de Oliveira, que parte do mesmo princípio de que é necessário, no Brasil, manter a inflação. É igualmente por essa razão, acrescento eu, que a inflação jamais cai, salvo agora, à custa da recessão e de um desemprego de pelo menos 13 milhões de pessoas em idade de trabalhar.

Por essas e por outras, suponho, Francisco de Oliveira, um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores, rompeu com sua cria – há alguns anos – e, segundo dizem, considerava Lula mais privatista do que FHC. Concluo, enfim, que não basta Dilma Rousseff afirmar, em universidades norte-americanas, que o atual governo é neoliberal o que, em última análise, é um conhecido slogan da esquerda. É preciso ir mais fundo para, juntos, esquerda e direita, que afundaram o País, trazê-lo de volta à tona.

Senão, ele acaba !


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