O CHABU DO MÍSSIL COREANO

Estamos, no Brasil, tão envolvidos pela repercussão das delações da Odebrecht que deixamos passar em tênues nuvens brancas o perigoso episódio das ameaças de Trump de usar armas atômicas contra a Coréia do Norte se ela levasse adiante o seu projeto de lançar mísseis de longo alcance.

Numa atitude destemperada o líder norte-coreano Kim Jong-un ignorou a ameaça e mandou lançar o míssil que, se funcionasse, desmoralizaria politicamente os adversários se eles não fizessem nada, o que, provavelmente, não fariam.

Foi aí que o míssil, felizmente, deu chabu.

Segundo o jornal Valor, Trump foi informado imediatamente e optou por minimizar o fato determinando que a resposta viesse do Secretário de Defesa, James Mattis, que emitiu uma curta nota de apenas 22 palavras. Tudo acabou em pizza.

O que não quer dizer que não me pareça que esse desvario deve prosseguir. Pelo que me lembro o regime norte-coreano negociou, durante muitos anos, a redução do ritmo do seu projeto nuclear, contra uma substancial ajuda dos norte-americanos, essencial para matar a fome daquele povo. Eis que, há cerca de uma década ou menos, esse entendimento foi desfeito e os mísseis continuaram a ser fabricados, com capacidade destrutiva cada vez maior.

Ao mesmo tempo, pelo que também me lembro, as duas Coreias, uma época, conversaram, seriamente, sobre a possibilidade de se unirem, tal como as antigas duas Alemanhas, por exemplo o que a China, aparentemente, boicotou, por motivos estratégicos. Dizem que o governo da China crê que a queda do muro de Berlim foi o prólogo do fim da antiga URSS e não quer repetir o que considera um erro de Gorbachov.

Quando Obama assumiu o poder, nos Estados Unidos, fez um de seus extraordinários discursos em que se referiu ao desarmamento atômico como um passo necessário à existência do nosso mundo. O ser humano, na verdade, chegou a uma encruzilhada absurda: consegui acumular bombas com poder de destruição de vários overkills ( sabendo-se que o overkill é uma unidade de medida de destruição completa de alvos do bombardeio nuclear).

O equilíbrio do terror parece uma solução, mas não é. Ele está muito mais para terror, do que para equilíbrio: o que, do ponto de vista ético, até nos dificulta combater o terror dos outros, diferentes de nós, como o Estado Islâmico.

Há certas decisões políticas que facilitariam muito a vida da Humanidade: paz na Síria, reconhecimento, pelo Estado de Israel, do Estado Palestino, unificação das duas Coréias e eliminação da pobreza no mundo. Todas fáceis de implementar, bastando querer: ou, também, como no meu caso, começar por elenca-las.


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