UMA ESTRATÉGIA PARA A UNIÃO EUROPEIA

Num artigo realista – e pessimista – publicado no Valor, intitulado “Quanto mais Europa a Europa tolera?”,  o professor Dani Rodrik, olhando para a situação europeia de hoje, desconfia que “pode ser demasiado tarde para tentar promover a integração fiscal e política da EU” uma vez que “menos de um em cada cinco europeus é favorável a tirar poder dos Estados membros.”

O risco da dissolução europeia existe, sem dúvida. A minha geração presenciou uma Guerra total, que destruiu os países europeus, há menos de cem anos atrás. Isso pode, contudo, não acontecer, se a cúpula política da Europa, que tem sua sede em Bruxelas, tomar a iniciativa de incluir no processo de globalização internacional os outros países do mundo, liderando uma união de todos os povos que hoje, por mais difícil que pareça, se tornou possível.

Nunca é demais recordar que a busca de uma paz perpétua na Europa parecia um sonho tão disparatado que Rousseau levou quase ao ridículo o projeto do Abbé de Saint-Pierre de instituir uma Paz Perpétua no continente europeu. Esse projeto do visionário abade, depois desenvolvido por Kant,  configurou um plano afinal, posto em prática por ousados homens públicos, num movimento que completa 60 anos neste mês.  Nunca, durante um século,  a Europa foi tão boa como é agora.

É verdade que está havendo o Brexit no Reino Unido e que a reacionária filha de Le Pen ameaça a democracia na França. Mas os grandes inimigos potenciais da Europa democrática, a antiga URSS e a China comunista tornaram-se parceiros possíveis de uma união monetária: a URSS, de fato, se desmantelou por inteiro e a China, assim como a Rússia, passaram a ser economias socialistas de mercado, em que o dinheiro assumiu um protagonismo preponderante.

O segredo da vitória é o aproveitamento do êxito.

A moeda comum está garantindo a paz na Europa, por mais que os belicistas das extremidades políticas, e sua poderosa clientela, queiram criar as condições para anular essas conquistas. O passo à frente, agora, é estender essa experiência vitoriosa ao resto do mundo, destronando do poder a aristocracia financeira, representada por cerca de três dezenas de famílias, que dominam as nossas vidas autocraticamente.

A liderança europeias devem “fugir para a frente” assumindo a liderança de um processo que parecia caber, anteriormente, aos Estados Unidos da América, mas o país  ingressou num labirinto ideológico do qual sairá enfraquecido.

A Europa, que, depois de espatifada no século XX,  conseguiu chegar unida e em paz até aqui, tem tudo a ensinar ao mundo. Ela não deve se acovardar. Não há melhor defesa do que o ataque.  É preciso instituir uma moeda comum, como se fosse um Euro universal !


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