G.F.KNAPP VERSUS ROBERTO CAMPOS

Pensei em opor a celebração dos 100 anos de nascimento de Roberto de Oliveira Campos ( 17.4.1917 – 9.10.2001 ) –  que já enseja comemorações, como na reportagem de Sergio Lamucci, do Valor do fim de semana, intitulada “O liberal planejador” –  aos 91 anos de falecimento de Georg Friedrich Knapp ( 7.3.1842 – 20.2.1926 ) criador da Teoria Estatal da Moeda, contra cuja doutrina Campos se insurgiu.

A mais notória criação de Roberto Campos, quando Ministro do Planejamento do primeiro governo militar, foi a correção monetária, promovida pela Lei n. 4.357 de 16 de julho de 1964, que institui a Obrigação Reajustável do Tesouro Nacional. Se tivesse seguido a Teoria Estatal da Moeda de Knapp ele, certamente, não teria feito isso.

É verdade que Campos, antes de ser economista, era um diplomata; e que a correção monetária não foi inventada originalmente por ele, mas por dois juristas, um civilista e um tributarista, que lhe fizeram a cabeça. O fato, porém, é que os seus gurus econômicos, Ludwig Von Mises ( 1881-1973 ) e Friedrich Hayek ( 1889-1973 ), especialmente o primeiro, tinham verdadeiro pavor de Knapp, porque este questionava o conceito de valor de troca idealizado por Adam Smith (1723-1790 ) e desenvolvido por  Stanley Jevons (1835-1882) e Carl Menger (1840-1921 )  ) . Ou seja, além da culpa em cartório – por ter sido Ministro do Planejamento da ditadura militar brasileira – Roberto Campos não era receptivo ao pensamento acatalático de Knapp.

Reli, há pouco, a parte final do prefácio de Knapp à sua Staatliche Theorie des Geldes, de 1905, onde ele reconhece, com certa candura, que o seu objetivo fora descobrir “a alma “ do dinheiro, como se o dinheiro pudesse ter alma. Um acatalático em busca da alma do dinheiro: Campos, que tinha sido seminarista, e era um grande cínico, não podia mesmo concordar com ele…

O exemplar da “The State Theory of Money” de minha biblioteca foi presente de um querido e saudoso amigo, também diplomata, e contém uma carinhosa dedicatória, datada de 25 de agosto de 1981,  em que ele se designa “amigo interessado” e  me chama de “profundo entendedor da correção monetária que quer entender mais ainda”. Tínhamos algumas discordâncias sobre o tema, pois ele acreditava que seria possível usar a correção monetária a favor dos humildes ( o que o governo Dilma acabou demonstrando definitivamente ser inviável ). Foi esse livro de Knapp, com que me presenteou o Carlos Luiz, que me inspirou a comparar o genial autor alemão do início do século XX com o nosso Bob Fields cujo centenário vai ser festejado no próximo dia 17 de abril.


IRONIA NUM MOMENTO DESTES!? ( por José Neves )

Amigo meu se acha infeliz, triste e desesperançado, com a leitura diária dos jornais, acompanhada de doses noturnas da Globo News.

Noticiário sobre a corrupção deve ser tomado em doses homeopáticas. Lembre-se do dono do cavalo, que perdeu o animal ao aplicar a receita sugerida pelo tratador: ‘ Numa noite de lua cheia diga ao ouvido da alimária o nome de tres ladrões; no dia seguinte o cavalo se levantará lépido e fagueiro’. Aplicada a mezinha o animal amanheceu morto. Diante da explicação de que pronunciara o nome de três políticos da primeira linha do noticiário da imprensa, o tratador concluiu:

‘Também, pô, isto era dose pra elefante...”

Diante disto aconselhei a ler apenas as páginas de esportes que encerram sábia lição: o Brasil estava mal, a corrupção dominava a CBF, a comissão técnica uns incompetentes, os jogadores péssimos e negligentes, o país atravessava uma entressafra de atletas , a seleção ameaçada de desclassificação cuica (Valadares) extinção, dando arranques de cachorro atropelado (Rodrigues), tudo no pior dos mundos…

E de repente, não mais que de repente, com praticamente os mesmos jogadores e auxiliares, com a simples troca do técnico, o Brasil vence oito vezes consecutivas – y compris Argentina e Uruguai em sua própria casa – a seleção está classificada antes das demais, tudo vai bem, torcedores meio constrangidos passam a pregar o mais deslavado favoritismo, ninguém fala mais na CBF, que prossegue com o seu presidente, aquele que evita viajar para o exterior por questões de segurança pessoal.

Quem sabe o mesmo não ocorra com o País, com a simples troca do técnico e alguns auxiliares? A antevisão da presidência de Gilmar Mendes (perdão Tite) não seria o prenúncio dessa virada do jogo?

Diferente do futebol, entretanto, hélas, a política não é uma ‘ caixinha de surpresas’…

José Neves


A TRIBUTAÇÃO E OS MINISTROS DA FAZENDA


A forma correta de o governo ter receitas é impor tributos.

Não se trata, portanto, de ser contra ou a favor das declarações do Ministro da Fazenda Henrique Meirelles, que está, apenas, fazendo o papel dele.

Não custa lembrar, contudo, que o ex-Ministro Joaquim Levy disse o mesmo e, logo em seguida, foi defenestrado.


O QUE CHAMAMOS DE CORPORATIVISMO

Na coluna de hoje do Valor Econômico, intitulada “O risco que conda a reforma mais impopular”, diz Cristino Romero, editor-executivo do jornal:

“ Não se ponha em dúvida a força das corporações do serviço público no Brasil. Para muitos funcionários, o Estado não é a representação da sociedade politicamente organizada: o Estado são eles, funcionários. É algo que pertence a eles. Assim como em muitas estatais os empregados se consideram “donos” das empresas.”

Embora possa haver alguma discordância quanto à correção jurídica da opinião de Romero é relevante a sua referência à força das corporações do serviço público no Brasil, assunto sobre do qual já tratei várias vezes neste Blog.

É preciso explicar o que designamos “corporativismo”. Trata-se de uma figura de linguagem, comparando a mentalidade brasileira com a ideologia das corporações de ofício da Idade Média, em que a organização do trabalho se baseava numa hierarquia entre os mestres artesãos e os artífices.

Consistindo numa cultura, herdada por nós dos ibéricos – que viveram uma longo período medieval – ela abrange, também, não só as parestatais ( como Fiesp, Firjan, Sesi, Senac, Sesc, etc ) como várias empresas privadas atuais.