IRONIA NUM MOMENTO DESTES!? ( por José Neves )

Amigo meu se acha infeliz, triste e desesperançado, com a leitura diária dos jornais, acompanhada de doses noturnas da Globo News.

Noticiário sobre a corrupção deve ser tomado em doses homeopáticas. Lembre-se do dono do cavalo, que perdeu o animal ao aplicar a receita sugerida pelo tratador: ‘ Numa noite de lua cheia diga ao ouvido da alimária o nome de tres ladrões; no dia seguinte o cavalo se levantará lépido e fagueiro’. Aplicada a mezinha o animal amanheceu morto. Diante da explicação de que pronunciara o nome de três políticos da primeira linha do noticiário da imprensa, o tratador concluiu:

‘Também, pô, isto era dose pra elefante...”

Diante disto aconselhei a ler apenas as páginas de esportes que encerram sábia lição: o Brasil estava mal, a corrupção dominava a CBF, a comissão técnica uns incompetentes, os jogadores péssimos e negligentes, o país atravessava uma entressafra de atletas , a seleção ameaçada de desclassificação cuica (Valadares) extinção, dando arranques de cachorro atropelado (Rodrigues), tudo no pior dos mundos…

E de repente, não mais que de repente, com praticamente os mesmos jogadores e auxiliares, com a simples troca do técnico, o Brasil vence oito vezes consecutivas – y compris Argentina e Uruguai em sua própria casa – a seleção está classificada antes das demais, tudo vai bem, torcedores meio constrangidos passam a pregar o mais deslavado favoritismo, ninguém fala mais na CBF, que prossegue com o seu presidente, aquele que evita viajar para o exterior por questões de segurança pessoal.

Quem sabe o mesmo não ocorra com o País, com a simples troca do técnico e alguns auxiliares? A antevisão da presidência de Gilmar Mendes (perdão Tite) não seria o prenúncio dessa virada do jogo?

Diferente do futebol, entretanto, hélas, a política não é uma ‘ caixinha de surpresas’…

José Neves


A TRIBUTAÇÃO E OS MINISTROS DA FAZENDA


A forma correta de o governo ter receitas é impor tributos.

Não se trata, portanto, de ser contra ou a favor das declarações do Ministro da Fazenda Henrique Meirelles, que está, apenas, fazendo o papel dele.

Não custa lembrar, contudo, que o ex-Ministro Joaquim Levy disse o mesmo e, logo em seguida, foi defenestrado.


O QUE CHAMAMOS DE CORPORATIVISMO

Na coluna de hoje do Valor Econômico, intitulada “O risco que conda a reforma mais impopular”, diz Cristino Romero, editor-executivo do jornal:

“ Não se ponha em dúvida a força das corporações do serviço público no Brasil. Para muitos funcionários, o Estado não é a representação da sociedade politicamente organizada: o Estado são eles, funcionários. É algo que pertence a eles. Assim como em muitas estatais os empregados se consideram “donos” das empresas.”

Embora possa haver alguma discordância quanto à correção jurídica da opinião de Romero é relevante a sua referência à força das corporações do serviço público no Brasil, assunto sobre do qual já tratei várias vezes neste Blog.

É preciso explicar o que designamos “corporativismo”. Trata-se de uma figura de linguagem, comparando a mentalidade brasileira com a ideologia das corporações de ofício da Idade Média, em que a organização do trabalho se baseava numa hierarquia entre os mestres artesãos e os artífices.

Consistindo numa cultura, herdada por nós dos ibéricos – que viveram uma longo período medieval – ela abrange, também, não só as parestatais ( como Fiesp, Firjan, Sesi, Senac, Sesc, etc ) como várias empresas privadas atuais.


PRÁ NÃO DIZEREM QUE NÃO FALEI DE FLORES OU QUE NÃO TENTEI POR PINGOS NOS IS… ( por José Neves )

Jucá preocupou-se não confundissem  os jornalistas  o “J’Accuse”  – que segundo ele seria a mera acusação durante a revolução francesa justificando a guilhotina independente de provas – com a banheira Jaccuzzi (que provavelmente orna o banheiro de Cabral junto com o luxuoso vaso sanitário  polonês, digo eu).

Triste ironia e santa ignorância Batman!

J’accuse” é o título do artigo redigido por Émile Zola quando do caso Dreyfus e publicado no jornal L’Aurore, de 1898, sob a forma de uma carta ao presidente da República Francesa, Félix Faure… mais de cem anos após a revolução francesa…

Parece que nem Jucá, Noblat ou Boechat perceberam a gafe.

Aliás o episódio, sobre outro aspecto, lembra o lamento do judeu perseguido pelos nazistas: ‘ Antes eu não gritei contra a perseguição sem provas de negros, ciganos, homossexuais (e petistas), porque eu não era negro, nem cigano nem homossexual (ou muito menos petista)… Agora eu estou sendo perseguido e não há mais quem possa gritar em meu favor…”

Princípio de fundo bíblico: não grite agora contra a ausência do devido processo legal no interesse de outros e no futuro já não mais haverá quem acompanhe os seus gritos em iguais circunstâncias… mesmo se alguém sobreviver…

Pequeno detalhe: na inquisição e na revolução francesa, por mais injusta que fosse a justiça da ocasião, a condenação sempre precedia a execução. Já no País das Maravilhas (da Alice, aquela do Oscar Wilde) gritava a Rainha Vermelha (a Dama de Copas):

Cortem-lhe a cabeça! Primeiro a execução, depois a sentença

No mais, meu caro Boechat, é fácil acompanhar o ‘main stream‘, fazendo a conhecida figuração do ‘crítico a favor’ (apud Jabor). O difícil é assumir a posição não majoritária, navegando ‘contra o vento e a maré’ ( na expressão de Vargas Llosa), pelo menos para validar o clamor das ruas, pois toda a unanimidade é burra, como pontificava Nelson Rodrigues…

José Neves