A TRIBUTAÇÃO E OS MINISTROS DA FAZENDA


A forma correta de o governo ter receitas é impor tributos.

Não se trata, portanto, de ser contra ou a favor das declarações do Ministro da Fazenda Henrique Meirelles, que está, apenas, fazendo o papel dele.

Não custa lembrar, contudo, que o ex-Ministro Joaquim Levy disse o mesmo e, logo em seguida, foi defenestrado.


O QUE CHAMAMOS DE CORPORATIVISMO

Na coluna de hoje do Valor Econômico, intitulada “O risco que conda a reforma mais impopular”, diz Cristino Romero, editor-executivo do jornal:

“ Não se ponha em dúvida a força das corporações do serviço público no Brasil. Para muitos funcionários, o Estado não é a representação da sociedade politicamente organizada: o Estado são eles, funcionários. É algo que pertence a eles. Assim como em muitas estatais os empregados se consideram “donos” das empresas.”

Embora possa haver alguma discordância quanto à correção jurídica da opinião de Romero é relevante a sua referência à força das corporações do serviço público no Brasil, assunto sobre do qual já tratei várias vezes neste Blog.

É preciso explicar o que designamos “corporativismo”. Trata-se de uma figura de linguagem, comparando a mentalidade brasileira com a ideologia das corporações de ofício da Idade Média, em que a organização do trabalho se baseava numa hierarquia entre os mestres artesãos e os artífices.

Consistindo numa cultura, herdada por nós dos ibéricos – que viveram uma longo período medieval – ela abrange, também, não só as parestatais ( como Fiesp, Firjan, Sesi, Senac, Sesc, etc ) como várias empresas privadas atuais.


PRÁ NÃO DIZEREM QUE NÃO FALEI DE FLORES OU QUE NÃO TENTEI POR PINGOS NOS IS… ( por José Neves )

Jucá preocupou-se não confundissem  os jornalistas  o “J’Accuse”  – que segundo ele seria a mera acusação durante a revolução francesa justificando a guilhotina independente de provas – com a banheira Jaccuzzi (que provavelmente orna o banheiro de Cabral junto com o luxuoso vaso sanitário  polonês, digo eu).

Triste ironia e santa ignorância Batman!

J’accuse” é o título do artigo redigido por Émile Zola quando do caso Dreyfus e publicado no jornal L’Aurore, de 1898, sob a forma de uma carta ao presidente da República Francesa, Félix Faure… mais de cem anos após a revolução francesa…

Parece que nem Jucá, Noblat ou Boechat perceberam a gafe.

Aliás o episódio, sobre outro aspecto, lembra o lamento do judeu perseguido pelos nazistas: ‘ Antes eu não gritei contra a perseguição sem provas de negros, ciganos, homossexuais (e petistas), porque eu não era negro, nem cigano nem homossexual (ou muito menos petista)… Agora eu estou sendo perseguido e não há mais quem possa gritar em meu favor…”

Princípio de fundo bíblico: não grite agora contra a ausência do devido processo legal no interesse de outros e no futuro já não mais haverá quem acompanhe os seus gritos em iguais circunstâncias… mesmo se alguém sobreviver…

Pequeno detalhe: na inquisição e na revolução francesa, por mais injusta que fosse a justiça da ocasião, a condenação sempre precedia a execução. Já no País das Maravilhas (da Alice, aquela do Oscar Wilde) gritava a Rainha Vermelha (a Dama de Copas):

Cortem-lhe a cabeça! Primeiro a execução, depois a sentença

No mais, meu caro Boechat, é fácil acompanhar o ‘main stream‘, fazendo a conhecida figuração do ‘crítico a favor’ (apud Jabor). O difícil é assumir a posição não majoritária, navegando ‘contra o vento e a maré’ ( na expressão de Vargas Llosa), pelo menos para validar o clamor das ruas, pois toda a unanimidade é burra, como pontificava Nelson Rodrigues…

José Neves


O GOSTINHO BOM DA IMPRENSA LIVRE

Para aqueles que, como eu, sentiram, numa época da vida, o desgosto de não saber o que estava ocorrendo em seu País e de ficar esperando as chamadas informações “de cocheira” ou a confirmação de alguns boatos importantes, poder desfrutar, como agora, de um sistema de livre imprensa é causa de alegria, mesmo sabendo que são poucas famílias as proprietárias das empresas de meios de comunicação que defendem interesses dos quais em geral discordamos.

Ainda que a gente não acredite muito na Rede Globo ou reclame dos vieses ideológicos de alguns colunistas a imprensa livre tem um gostinho muito bom.

Com o que não concorda o presidente Trump, que acaba de receber uma carta assinada por mais de 40 editores-executivos, diretores e presidentes de meios de comunicação e organizações do mundo manifestando sua preocupação com os persistentes ataques do governo norte-americano contra a imprensa que diz, em resumo, o seguinte:

“É contraproducente ver o presidente dos EUA alimentando um antagonismo com os meios de comunicação ao etiqueta-los, enganosamente, como divulgadores de ‘notícias falsas’. Há o temor de que o clima geral promovido por sua Presidência comprometa seriamente a continuidade da capacidade de produzir-se uma imprensa livre.”

Este Blog, que, nos limites de sua pequena esfera de influência,  já saiu em defesa dos blogueiros  Yoani Sánchez, de Cuba,  e Eduardo Guimarães, do Brasil quer participar desse merecido protesto contra o Presidente Donald Trump.