DE NOVO, ISOLADOS

Li, no Globo, dois textos de economistas – um professor da PUC-Rio e uma jornalista econômica – repercutindo a sensação de exclusão a que os cariocas ficaram expostos diante do conflito entre facções de traficantes da comunidade da Rocinha, situada estrategicamente na saída do Túnel Zuzu Angel, que liga a Zona Sul à Zona Oeste da cidade.

Quando vim morar na Barra da Tijuca, ha quarenta anos, senti-me, inicialmente, isolado até que, aos poucos, a Nova Ipanema foi se integrando à cidade através, inclusive, da Linha Amarela que nos ligava à Zona Norte. O Riocentro, programado para ser o Centro do Rio, e o crescimento do Recreio, alongando-se para Guaratiba, deram-me a sensação adicional de que enfim tínhamos passado a fazer parte integrante da cidade.

Eis que a Rocinha mostrou o quanto nós erramos ao mantê-la distante de nós.

Como na fábula “Pedro Mico”( uma peça de Antônio Callado que fez muito sucesso num teatrinho de bolso de Ipanema nos tempos de minha adolescência ) a Rocinha desceu e meus filhos, noras e netos passaram a ter medo de vir para a Barra. O casal ficou, de novo – tal como na época do areal imenso que havia por aqui – isolado.

Na minha infância, no Jardim Botânico, convivi de igual para igual com os filhos dos operários da fábrica de tecidos Carioca Industrial que havia perto da minha casa o que deve ter feito bem à minha formação moral, porque aprendi com isso a ser tolerante com as outras pessoas. Ao invés de nos integrarmos, ricos e pobres, para viver mais próximos, nós, os cariocas, optamos, contudo, por nos distanciar, cada vez mais.

Nos tempos de Juscelino, ele fizeram Brasília, e tiraram da minha cidade o status de Capital da República. Na época do Golpe Militar nos impuseram uma Fusão desastrosa com o antigo Estado do Rio de Janeiro. Muito mais tarde, cheguei a pensar que a boa vontade de Lula com Sérgio Cabral e os planos de fazer aqui as Olimpíadas fossem capazes de resgatar o esplendor da minha cidade. Qual nada: o desvairado governador via cada investimento público como uma oportunidade de negócio para se tornar milionário e poder ostentar riqueza e renegar o seu passado de pobre rapaz do subúrbio.

Melancólicas lembranças.

Mas ainda é tempo de as novas gerações cariocas do futuro descobrirem os encantos de uma população de várias classes sociais unidas e de promoverem essa união.

Assim espero.


O EQUIVOCO DA IMPRENSA AO CHAMAR DE “GUERRAS” AS MEDIDAS CONTRA O TRÁFICO DE DROGAS

Basta uma razão: esse sensacionalismo da imprensa serve para que os “mulas” e demais pessoas ( em geral jovens ) subordinados aos chefes traficantes considerem-se “guerreiros” o que aumenta a sua autoestima e lhes dá notoriedade e prestígio.


O QUE OCORRERÁ SE TEMER RENUNCIAR

A fraqueza do governo Temer demonstrou o erro de o Vice articular – e afinal ver concretizado – o Impeachment da Presidente de sua chapa.

O governo federal, a esta altura, não consegue manter-se em pé.

Se Temer, avaliando bem a situação, renunciar, transferindo a faixa presidencial para o Deputado Rodrigo Maia, Presidente da Câmara, a equipe econômica deverá permanecer. Toda a atual entourage, contudo, deverá ser removida, aí incluído o Ministro da Defesa Raul Jungmann, que conduziu muito mal o recente episódio de insubordinação militar.

Consequentemente, o cenário ficará mais claro para que as eleições presidenciais transcorram normalmente no ano que vem.


PERMANECE A NECESSIDADE DE INTERVENÇÃO FEDERAL NO RIO DE JANEIRO

Em post do início de abril deste ano este Blog pediu a decretação de uma Intervenção Federal no Rio de Janeiro o que os acontecimentos de hoje – e de agora – demonstram ser, ainda, uma medida necessária.

Embora as causas da violência ilegítima sejam profundas e não se resolvam, apenas, com um procedimento constitucional-administrativo, a Intervenção Federal, no momento, caracterizará melhor a situação presente tornando-a mais transparente e compreensível para a população.