E SE ELE FOSSE BOM DE DEBATE?

As pessoas ajuizadas, ao redor do mundo ocidental – e ainda há muitas, graças a Deus! – respiraram aliviadas com a vitória de Hilary Clinton no debate pela televisão com Donald Trump.

Na verdade, não podia ser outro o resultado, já que o candidato republicano – malgrado os republicanos – é um completo energúmeno; e não sou eu, apenas, quem o diz, mas um jornalista da importância de Martin Wolf, do Financial Times, no artigo “Em breve o Ocidente pode estar perdido, com Trump democracia perderia apelo como modelo de vida política civilizada”, publicado no Valor.

Imaginem, porém, se Trump surpreendesse, e se revelasse um gênio !

Nunca, talvez, o sucesso de um candidato em debate presidencial pela televisão tenha causado tanta alegria. Até as Bolsas de Valores subiram.

Oxalá,  Ogunhê, Amém !


O JEITINHO ( NO BOM SENTIDO ) DO NOVO PRESIDENTE DO BACEN

Uma das primeiras ações para tirar o Brasil do buraco em que nos metemos é reduzir o nível das taxas de juros.

Mas isso precisa ser feito com jeito, para não incomodar o mercado que, embora esperto, não prima pela inteligência e precisa ser bem preparado psicologicamente para aquilo que, sob o prisma dele, é contrário aos seus interesses.

Com a dominância fiscal perdendo força, a Economia irá se ajustando e poderemos dar os outros passos adiante; um dos quais – fundamental – os que me dão a honra de ler o que escrevo por certo já sabem qual é: promover a desindexação.


CACOETES E ARMADILHAS

Excelente o artigo de Alba Zaluar no Globo, “Armadilhas da Segurança Pública”, em que ela demonstra como é necessário fazer o exame aprofundado de cada tema para não se ficar preso a ideologias superficiais que prejudicam as soluções.

Sua longa experiência no trato da difícil questão da violência ensina-nos a ser moderados, o que parece impossível nessa área.

Não se pode negar, segundo ela, o morticínio de homens negros jovens no Brasil mas não se trata de uma conspiração policial de cunho racial. Fazer esse discurso radical, ao invés de ajudar corrigir o que está errado, acaba estimulando o erro, como se houvesse uma guerra e os policiais fossem membros de uma espécie de exército do mal. É uma vergonha, um desrespeito à ordem jurídica – que repele a pena de morte – mas é fruto de uma violência de origem mais complexa, que está presente, também, entre os próprios jovens, e é preciso ter a coragem de dizer isso.

O nosso atraso na análise de tal questão cria cacoetes ( por mais que essa palavra seja fraca para lamentar a tragédia a que ela se refere ) e armadilhas, das quais, para sermos civilizados, devemos livrar-nos. Um dos problemas, como escreve a professora Alba, é a fracassada “guerra às drogas”, em que a guerra matou mais do que as drogas, que continuam a florescer.

Todas essas questões, de uma forma simples, breve e, ainda assim, profunda, são abordadas no esplêndido artigo de Alba Zaluar, que merece ser objeto de reflexão pelas  pessoas de bem.


O EQUÍVOCO DO CHANCELER JOSÉ SERRA

A ausência de Michel Temer no ato histórico do acordo do governo da Colômbia com as FARC prejudicou não só a solenidade ( pois somos o maior e mais populoso País de continente ) como desfigurou a imagem de bom vizinho, que mantemos há anos.

O Itamaraty não pode agir ideologicamente, sob o risco de desconstruir, em pouquíssimo tempo, o que demorou tanto para ser edificado.