SUGESTÃO DE LINCHAMENTO

Ao dizer que devia haver pena de morte para o estupro coletivo o governador interino sugere, enviesadamente, o linchamento dos estupradores o que, convenhamos, é tão, ou mais bárbaro, do que o próprio estupro.

O sociólogo José de Souza Martins, o maior estudioso atual de linchamento no Brasil, deve ter ficado assustadíssimo.


A CONFIANÇA E O MINISTRO MEIRELLES

É a segunda ou terceira vez que o Ministro da Fazenda Henrique Meirelles, num curto período de tempo,  limita as suas declarações públicas a uma palavra: confiança !

Esse assunto suscita os seguintes comentários:

1) Dizia-se, antigamente: confiança não se impõe; adquire-se;

2) Não cabe ao Ministro dizer, apenas, que é preciso confiança: ele é pago para dizer como adquirir essa confiança;

3) Quem abusou do termo “confiança” foi o ex-presidente do Banco Central Europeu, Jean Claude Trichet;

4) Não será o caso de  lembrar ao Ministro Meirelles que ele, agora, não é mais Presidente do Banco Central mas Ministro da Fazenda;

Vale citar, por último, a gozação que o Prêmio Nobel de Economia Paul Krugman se cansou de fazer, quando Trichet, na época, defendeu, à exaustão, esse ponto de vista, denominando-o “fada da confiança”, sobre o que ele escreve o seguinte trecho, transcrito em seu livro “Basta” ( p.184 ):

Será que os consumidores e as empresas se tornaram mais confiantes depois da virada da Inglaterra ( fora o caso por ele estudado nos parágrafos anteriores ) para a austeridade ? Ao contrário. A confiança das empresas caiu para níveis sem precedente deste o auge da crise financeira, e a confiança dos consumidores despencou em abismos ainda mais sombrios que os de 2008/2009”?

No Brasil, de agora, por que razão as empresas e os consumidores deverão ter confiança, em geral, ou, em especial,  no Ministro Meirelles ?

Será que ficar repetindo que é preciso ter confiança produz como resultado que alguém tenha confiança ?

Ou o Ministro está praticado uma tautologia, isto é, proferindo uma “expressão que repete o mesmo conceito já emitido, ou que só desenvolve uma ideia citada, sem aclarar ou aprofundar sua compreensão”?


SERÁ QUE VALEU A PENA PARA O PMDB DAR O GOLPE ?

Tenho acompanhado o marasmo político-econômico do governo interino do PDMB e me perguntado  – afora o dano institucional que resulta de um golpe de Estado- se este, do ponto de vista estritamente político-partidário, valeu a pena.

Os males concretos do País, que antes estavam personificados, pela opinião pública, na presidente afastada Dilma Rousseff, passaram a ser atribuídos ao presidente em exercício Michel Temer. As vaias estão soltas contra o pessoal do novo governo.

O partido dá a impressão de não saber o que fazer, mesmo porque, se soubesse, já teria feito, pois estava numa aliança com o governo do PT. O Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, está provando que não tem mesmo qualquer carisma. Planta um sorriso forçado na face que não se sabe se expressa alegria, confiança ou se esconde o espasmo de uma repentina dor de estômago.

Quanto ao ex-Ministro Jucá, o grande articulador, caiu como um patinho na manobra sórdida do seu amigo Sérgio Machado. E ainda têm por cima o Deputado suspenso Eduardo Cunha que pratica maldades contra os outros sejam eles quem forem, porque isso faz parte intrínseca da sua natureza.

Sem falar que o PMDB jogou fora uma antiga tradição legada por homens como Ulysses Guimarães e Tancredo Neves que ainda acompanhava o conceito do partido perante a sociedade.

Acho que, a esta altura, é improvável eles voltarem atrás. Mas não é impossível.


POBRE “MINHA CASA MINHA VIDA”

Parece que o novo governo interino do PMDB – que ainda não tinha dito expressamente a que veio – está botando, como se diz, as manguinhas de fora, e vai cortar o “Minha Casa Minha Vida”.

Não digam que é um programa populista. Se é, o governo empresarial-militar inaugurado em 1964 também foi populista, ao criar o Banco Nacional de Habitação, para ajudar a reduzir o déficit de moradias no Brasil, que é notório.

É verdade que a concepção dos dois programas era diferente. O BNH tinha uma moeda própria, a UPC, e o projeto de usar a correção monetária das Cadernetas de Poupança para financiar as construções. O “Minha Casa Minha Vida” usa – ou usava – a forma dos subsídios.

A utilização da correção monetária para financiar as construções, como se sabe, deu com os burros n’água, pois os salários não eram reajustados na mesma frequência e proporção com que eram reajustados os rendimentos da poupança. Evidenciou ser uma espécie de mágica besta.

Já os subsídios às moradias de baixa renda é uma opção política similar a que vários países utilizaram com sucesso. Sem o que, de resto, o problema da falta de moradia fica sem solução.

Nem é porque o País ficou pobre. A sociedade continua tão rica quanto era antes. A questão não é mais o bolo – como dizia aquele famoso Ministro da Fazenda – mas a distribuição de suas fatias. O governo do PMDB começou a mostrar como pretende fazê-la.

Além de golpista – ou talvez por isso – elitista. Parodiando o título de uma peça que fez muito sucesso   na minha época: “Greta Garbo, quem diria, acabou no Irajá”….