50 ANOS EM 5; OU, EM 5, 50 ?

A equipe econômica do governo federal mandou ao Congresso um projeto de lei orçamentária para o próximo ano de 2016 que assinala um déficit estimado de cerca de 30 bilhões de reais.

Ao assistir, há pouco, o Jornal das 18,00 hs, da Globo News, percebi que ninguém estava dizendo coisa com coisa. Os economistas ouvidos – sempre os pró-mercado, naturalmente – falaram sobre os 5 anos desastrosos do governo Dilma, no que foram, em linhas gerais, seguidos pelos jornalistas e analistas econômicos.

Diferentemente do que ocorreu nos tempos de Juscelino, que prometia desenvolver o País 50 anos, em apenas 5, estão querendo, agora, culpar os 5 anos do primeiro mandato da presidente Dilma pelos 50 anos de fantasia financeira no Brasil.

Contudo, o que vimos hoje foi a derrocada dos 50 anos de “oba oba” criados pelo mito da “revolução” de 1964 em cuja raiz estava na “moeda” ORTN, sobre a qual edificamos o nosso mercado de capitais.

De qualquer forma esse esquema serviu para transferir renda para uma sociedade de privilegiados que, a partir de agora, vai ter que pagar a conta, através do aumento de tributos.

No meio da confusão consegui ouvir as palavras lúcidas de um líder político: o vice-presidente Michel Temer.


QUANDO OS BANCOS COMERCIAIS NÃO COMPREENDEM OS INTERESSES MATERIAIS DE SEU SETOR

O artigo “Sobre o aperto monetário americano” do Jornal Valor, escrito pelo professor de Berkeley, Bradford DeLong, ao tratar da perspectiva de o Fed elevar os níveis das taxas de juros norte-americanos sugere algo que está ocorrendo no Brasil, com os grandes bancos comerciais: eles não estão compreendendo os interesses materiais de seu setor.

Dirá o leitor: será que este Blog está com “pena” dos bancos ?

Ora, é muito fácil falar mal dos bancos e protestar contra eles. O teatrólogo Bertold Brecht chegou a cunhar uma máxima que ficou famosa: “o que é um assalto a banco, diante de um banco”, insinuando que os bancos nos assaltam de forma mais cruel que os próprios assaltantes de bancos ( hoje reduzidos a colocadores de explosivos nos caixas automáticos ). Mas não é bem assim.

Não nos interessa ver quebrar os bancos; embora no Brasil, antes do Plano Real, os bancos tivessem praticamente quebrado, quando houve a desindexação da Economia, promovida pelo ex-presidente Fernando Henrique, que foi obrigado a editar o PROER, em 1995, posto em vigor através de diversas normas.

Atualmente, os nossos banqueiros estão aparentemente satisfeitos. Diz o professor DeLong que os norte-americanos ficariam felizes com um diferencial de 3% sobre o que eles pagam aos seus correntistas. Qual é o diferencia auferido todos os dias em nosso overnight bancário ?

Ocorre que as ruas vão compelir o BACEN a baixar os juros, para baixar a inflação. O que está ocorrendo conosco é algo que os banqueiros parecem não estar compreendendo: a elevação dos juros está elevando a inflação. O Brasil não passa, apenas, por uma estagflação: passa por uma inversinflação, fato inédito na história dos sistemas financeiros, quando a política monetária restritiva funciona ao contrário.

No final de seu texto, o professor de Berkeley escreve o seguinte:

“ O que mais beneficiaria os bancos comerciais não é um aumento imediato das taxas de juro, mas uma política monetária que contribua para assegurar que a economia seja capaz de suportar maiores taxas de juro no futuro.”

Vale para os Estados Unidos e vale para o Brasil. As visões de curto prazo dos banqueiros podem leva-los, lá e aqui, a – como se diz – quebrar a cara, o que é pena !


MOVIMENTOS POPULARES PROTESTAM CONTRA BANCO CENTRAL DO BRASIL

Creio que é a primeira vez que um Banco Central é alvo de protestos populares. No Brasil, certamente, é.

Isso significa que os protestos difusos contra a política econômica do governo concentraram-se, agora, numa direção certa. O Banco Central do Brasil tem autonomia de fato e age, na prática, como se fosse titular de um poder próprio. Isso levou a sua Diretoria a elevar as taxas de juros como se fosse o caminho para reduzir a inflação. Mesmo diante da ineficácia da medida o Banco Central insistiu na mesma política monetária e tornou-se um dos responsáveis pela recessão da Economia brasileira.

Os movimentos populares têm, agora, contra o que protestar, com razão, o que vai obrigar a Diretoria do Banco Central a sair do anonimato que a protege, descer da torre de marfim onde se encerrou, e colocar um prática uma política de defesa da moeda nacional.

Como a redução das taxas de juros também interessa à indústria haverá uma “colagem” entre as lutas sindicais e empresariais que terá reflexos inevitáveis no Congresso Nacional.

No Rio de Janeiro o protesto, que será amanhã, dia 1º de setembro, reunirá as pessoas em frente à Igreja da Candelária, e sairá, às 16,00 hs, em direção à sede do BACEN, na Av. Presidente Vargas 730.

Estamos diante de um fato novo na política brasileira: a população protestando contra a política monetária do Banco Central.


A VOLTA DOS CAFAJESTES

Bons tempos aqueles em que os cafajestes eram boêmios de Copacabana, no antigo Distrito Federal.

Hoje, os novos cafajestes hostilizam políticos e se gabam disso, obtendo uma certa cobertura de parte da mídia e das redes sociais.

Essas pessoas são primas ideológicas do pessoal xenófobo, de extrema direita, da Europa, e dos neoconservadores dos Estados Unidos que, por sinal, os financiam.

É importante não temê-los, nem votar neles.

Porque eles não valem nada !