A DIREITA BRASILEIRA SE ARTICULA

O coordenador do Movimento Brasil Livre, em Brasília, um estudante de economia de 23 anos chamado Maurício Bento, lidera um grupo de apoio ao presidente Eduardo Cunha, considerado por eles uma espécie de guru, a despeito do seu aparente envolvimento no escândalo das propinas da Petrobrás. A sua motivação é ideológica e, como se trata de um jovem de pouca idade, parece não ter conotação “udenista”.

Esse Movimento, e outros do mesmo gênero – que são contrários às políticas igualitárias defendidas pelo PT – pretendem comandar um grande protesto contra a presidente Dilma e seu governo, que deverá reunir pessoas na rua no próximo dia 16 de agosto.

Em entrevista ao Valor, a cientista política canadense, Kathryn Horchsetler, salienta que é fundamental, para o governo, não reprimir os protestos. A violência contra os manifestantes pode ser o segredo do eventual sucesso  da manifestação. É provável, portanto, que a direita, nacional e internacional, que está por trás dessa política de desestabilização do governo, pague a provocadores para cometer atos violentos, especialmente contra os manifestantes, para atribui-los às polícias estaduais.

Quanto ao provável apoio do PSDB, isso pode mitigar a radicalização.

De qualquer modo, estamos vivendo, atualmente, no Brasil,  um clima de tentativa golpe pela direita, com raízes internacionais.


TENTATIVA DE ENTENDER AS POLÍTICAS ECONÔMICAS DE LULA E DE DILMA RESPECTIVAMENTE

Tanto os governos de Lula e de Dilma devem ser considerados de centro esquerda e, como tal -, diferentemente do PSDB, de centro direita – favoráveis à maior igualdade social.

O grande projeto político de Lula – por sinal bem sucedido – foi, dentro dessa linha, o de incorporar à classe média um grande número de brasileiros ( dezenas de milhões ) retirando da miséria absoluta outros tantos. Para evitar conflitos, com a ajuda de Antônio Palocci, que foi seu Ministro da Fazenda, e de Henrique Meirelles, no comando do Banco Central do Brasil, seguiu a mesma cartilha adotada por Fernando Henrique Cardoso, baseada no chamado tripé econômico, que previa metas de inflação, superávit primário e câmbio flutuante.

O governo Dilma quis pôr em prática uma “Nova Matriz Econômica”, que fugisse um pouco da antiga ortodoxia. Aproveitando uma aparente fragilidade do sistema financeiro internacional, da qual resultara uma queda acentuada das taxas de juros, decidiu enfrentar a inflação – e a desigualdade de renda – reduzindo os juros “reais”a 2% ao fim de quatro anos, descuidando da obtenção do superávit primário e da flutuação do câmbio, que foi mantido deliberadamente apreciado ( com um real valorizado ).

O sistema financeiro internacional desenvolve uma política econômica em sentido contrário a do PT, concentrando renda e, nessas condições, entrou em choque com o governo Dilma, obrigando o Banco Central a aumentar a taxa de juros, para se alinhar aos interesses desse sistema, a pretexto de controlar a inflação.

Ocorre que o Brasil, desde 1964 – com a criação da correção monetária – deixou de ter uma única moeda, e passou a ter duas: a moeda nacional ( que era o cruzeiro e hoje é o real ) e um Indexador, que atualiza compulsoriamente algumas obrigações pecuniárias, ainda que definitivamente constituídas, agindo como se fosse uma cláusula valor ouro, hoje incorporada à Selic. A elevação dos juros não se transmitiu aos atos de combate à inflação servindo, ao contrário, para elevá-la, o que gerou “desajustes”, que o governo Dilma, em seu segundo mandato, está procurando consertar.


A LÓGICA DA TAXA BRASILEIRA DE JUROS

Com a Economia em recessão a taxa de juros deveria ter sido reduzida e não aumentada.

Chegamos, agora, porém, a um patamar de juros “reais” ( descontada a inflação ) de 8,4%.

Cumpre não esquecer que o projeto (fracassado) da presidente Dilma, no início do seu primeiro mandato, era termina-lo com uma taxa de 2%.

A despeito do que dispõem a Constituição Federal e as leis brasileiras, não são nem a União Federal nem o Banco Central que fixam as taxas de juros. Quem manda nelas é o Sistema Financeiro Internacional.

Mesmo assim, elas não deveriam ser tão altas.

Temos, porém, um problema suplementar: a indexação compulsória.

Vai nos dar trabalho, portanto, superar, com eficiência, essas duas anomalias monetárias nacionais.


ALTA CORRUPÇÃO: UM EFEITO COLATERAL DA ALAVANCAGEM

Os números da corrupção são impressionantes: esse é um dos efeitos colaterais da alavancagem de que tratei no post anterior.

O aumento da desigualdade concentrou riquezas e aumentou a ambição dos candidatos à corrupção passiva. Centenas de milhões tornaram-se números pequenos num universo de quatrilhão. O caixa 2 e a indexação brasileiros contribuíram para a perda de controle.

Quando os agentes corruptores passaram a receber estímulos para dedurar os beneficiários de suas ações o castelo de cartas desmoronou, mesmo porque ficou, ao mesmo tempo, muita mais fácil cruzar informações.

Criaram-se novas classes de corruptores e de corruptos.

Dentre os corruptores há os institucionais, que estão pagando um alto preço por não terem deixado de praticar o que há décadas era praxe.

Dentre os corruptos surgiu uma nova classe,  dos que são, simultaneamente, exibicionistas, agressivos e hipócritas, dos quais há um exemplo flagrante no Brasil de hoje, cujo nome peço que o leitor faça-me o favor de adivinhar.

Mas há também os ingênuos que – mesmo não tanto – causam dó.