O PARADOXO BRASILEIRO DA TAXA DE JUROS

As taxas de juros, quanto mais são elevadas, ao invés de reduzir elas aumentam a inflação.

Isso não ocorre em outros países e, por isso, não está nos Manuais de Economia. Mas está acontecendo, há meses, no Brasil e exige uma explicação lógica.

Normalmente, o tempo produz um efeito acessório sobre a dívida, que é a taxa de juros: um acessório do principal. Com o encarecimento da dívida diminui a quantidade de dinheiro em circulação o que afeta os preços e a inflação também diminui. Quanto ao principal a sua tendência, com o tempo, é depreciar.

O nosso paradoxo consiste em que usamos o tempo – através da indexação formal e informal – para aumentar o principal da dívida ( e não criar, apenas, um acessório ) do que resulta o efeito contrário ao pretendido quando se eleva a taxa de juros: elevam-se as expectativas de inflação, e seus níveis não caem.

Isso não consta dos Manuais de Economia, porque é uma característica peculiar da Economia brasileira em cujo cerne encontra-se um fenômeno que subverte o senso comum.

Estamos vivendo uma crise provocada por essa esdruxularia.  O Banco Central tem o dever de diagnosticar esse paradoxo e encaminhar um debate público para superá-lo.

Não adianta ficar esperando que os economistas do FMI nos digam o que devemos fazer, porque eles não tem vivência das nossas peculiaridade. Ninguém tem a correção monetária, que aprecia o capital, em vez de depreciá-lo e impede que a elevação da taxa de juros reduza a inflação, produzindo o efeito contrário.


O FACCIOSISMO DO JORNALISTA DO GLOBO MERVAL PEREIRA

A defesa do leitor é não ler; a do ouvinte, não ouvir, desligando a televisão ou abafando o som. Isso se ele for neutro, porque se for, também, sectário, prestará toda a atenção … e ficará desinformado.

O segredo do comentarista é ser isento pois é isso que cria um certo suspense: será que ele vai ter uma opinião parecida com a minha? Já o sectário torna-se monótono uma vez que você sabe, de antemão, o que ele vai dizer.

Faccioso, segundo o dicionário, é alguém que tem espírito sectarista, parcial; paixão cega e exacerbada por algo, intransigência, intolerância. Como diria Guilherme Figueiredo no seu Tratado Geral sobre o tema, um chato.

Qual o motivo de o jornalista Merval Pereira ser tão limitado? Acho que é a consciência de não ter brilho, aliada à necessidade de ocupar um espaço a qualquer custo. Ele não se parece com o jornalista Carlos Lacerda que tinha mais talento para destilar seu ódio. Todavia – como água mole em pedra dura tanto bate até que fura – e o seu tijolaço é diário, ele acaba conseguindo formar uma opinião. Da qual, como dá para perceber, eu sempre discordo, inclusive da de hoje, sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal, permitindo aos empreiteiros cumprir pena domiciliar.


OS MOTOQUEIROS DE PUTIN

A televisão mostrou, ontem, um grupo de motociclistas russos que começaram uma jornada pela Europa destinada a reproduzir o trajeto vitorioso do Exército Vermelho durante a Segunda Grande Guerra.

Segundo a reportagem exibida, o próprio presidente Putin, em ocasião anterior, pilotando uma motocicleta, teria feito uma participação em homenagem a esse grupo.

Sem qualquer preconceito contra os motociclistas não posso deixar de vislumbrar, nesse tipo de celebração, uma perigosa manifestação de caráter fascista, destinada a relembrar uma fase da antiga glória da União Soviética.

Não pretendo, com isso, condenar os russos, cuja sensibilidade e cultura admiro.

Acho importante, porém, chamar a atenção para o risco que representa a tentativa de isolamento e cerco da Rússia, um País que tem muitas características semelhantes às da Alemanha depois de derrotada na Primeira Grande Guerra e humilhada pelas cláusulas do Tratado de Versalhes.


O PODEROSO CHEFÃO JOKO WIDODO

Assim como d. Vito Corleone, que mandava seus capangas matar com um simples gesto, o presidente da Indonésia, Joko Widodo, é implacável.

É a lei de lá e há pena de morte, também, em diversos outros países, como a China, os Estados Unidos e o Irã. A polícia militar do Rio, ilegalmente, mata crianças com tiros de fuzil cabeça. E os policiais brancos, nos Estados Unidos, executam negros.

Mas, com tudo isso, esse insensível Widodo será lembrado como aquele que não atendeu às súplicas de um País aliado e fuzilou brasileiros.

Disso, ele não escapa.