A VISITA DE DILMA AOS ESTADOS UNIDOS

Depois que o presidente Obama promoveu uma aproximação com o governo cubano surge a oportunidade para ocorrer a esperada visita da presidente Dilma aos Estados Unidos, suspensa pela revelação de espionagem feita por Edward Snowden.

Parece não haver um tema específico que justifique esse encontro. A decisão, a meu ver acertada, da compra dos caças a jato suecos, retirou da agenda a pretensão da Boeing de vender ao Brasil os de sua fabricação. Ainda assim a viagem se impõe.

Os Estados Unidos, de Barack Obama, e o Brasil, de Dilma Rousseff, tem inúmeros pontos em comum, dentre os quais é possível citar o ódio que a extrema direita dedica, respectivamente, aos dois governos. Num mundo multipolar, como o nosso, é sempre positivo desenvolver a harmonia entre dois dirigentes de países americanos tão importantes como os nossos.

Por mais difusa que possa parecer a pauta dessa futura reunião – que poderia ocorrer, por exemplo, em maio deste ano – o fato, sem si, de haver essa visita, terá um significado relevante,o que nos faz desejar que ela efetivamente aconteça.


DILMA 2.0

No seu primeiro mandato a presidente Dilma Rousseff pretendia baixar as taxas de juros “reais” a 2% e reduzir as tarifas de energia elétrica, que, em ambos os casos, estavam entre as mais elevadas do mundo, e prejudicavam a Economia. Depois que ela fracassou no intento, passou a segunda fase do seu primeiro governo tentando consertar os estragos que decorreram do referido fracasso, do que resultou o comprometimento da credibilidade das contas públicas, fato atribuído, grosso modo, a manobras postas em prática pelo Secretário do Tesouro Arno Augustin, que se despede do cargo.

A preocupação da presidente, agora, neste segundo mandato, é colocar as contas em ordem, matéria na qual o novo Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, é um especialista. Em termos numéricos, o governo promete reduzir a inflação para que os seus níveis alcancem, daqui a dois anos, o centro da meta, de 4,5% ao ano.

Na entrevista que concedeu, ontem, ao jornal Valor, sob o título “Ajuste fiscal projeta superávit de R$ 66 bi, em 2015¨, o novo ministro da Fazenda expôs a sua visão sobre a situação da economia brasileira atual, perspectiva que foi objeto de apreciação por diversos economistas, referidas na reportagem do mesmo jornal de hoje, sob o título “Analistas aprovam com ressalvas propostas apresentadas por Levy”, em que a opinião crítica mais contundente foi do professor Belluzzo, contrário ao que lhe pareceu um tom de austeridade dos novos planos do governo, experiência mal-sucedida na Europa.

Creio ser inevitável que o governo restabeleça a exatidão das contas públicas que são um instrumento de sua comunicação com o mercado. Vige uma ordem monetária internacional na qual o Brasil está inserido e que lhe impõe uma certa disciplina. Há um compromisso da presidente, com a esquerda que a elegeu, de manter as conquistas das classes menos favorecidas. Isso tem que ser feito democraticamente, através das instituições existentes, que devem ser obedecidas.

No tocante à austeridade, a que se refere o professor Belluzzo, ela, efetivamente, não está dando certo na Europa. Mas, como diz o Ministro Levy, “tentar combater a queda na criação de empregos e no crescimento do PIB que vem acontecendo há algum tempo, com mais expansão fiscal não tem aderência com a realidade e seria perigoso ( havendo ) crescente consenso em relação a esse diagnóstico.”

Em relação à Petrobrás o Ministro diz acreditar que ela conseguirá ultrapassar o difícil período atual, resultado da apropriação e desvio de recursos por parte de pelo menos uma diretoria reconhecidamente corrupta. Ele afirma que “a Petrobrás tem sofrido pressões que estou convicto de que ela saberá superar.”


O JORNAL “O GLOBO” É UM PASQUIM ?

Segundo o dicionário Aurélio, pasquim provem do italiano antigo paschino, nome, em Roma, de uma estátua de gladiador, na qual se fixavam libelos e sátiras. Daí passou a significar sátira afixada em lugar público, jornal ou panfleto difamador e, por extensão de sentido, com viés depreciativo, jornaleco.

Entre nós brasileiros Pasquim era o nome próprio de um jornal fantástico, dos tempos da ditadura militar, que se autogozava e no qual um jornalista tinha liberdade de dizer, na mesma edição, algo inteiramente contrário ao que o outro, folhas antes, dissera: o que era uma virtude no caso dele, mas um defeito num jornal metido a sério, como O Globo.

Eis que O Globo, sem querer, como se fosse o Pasquim, contradiz-se na mesma edição.

O seu principal colunista, Merval Pereira, na coluna “O choro de Dilma”, escreve um texto destinado a insinuar que a citação da Presidente Dilma na ação proposta pela cidade de Providence, nos EUA, contra a Petrobrás, significa, afinal, que Dilma … sabia. Por isso ela chorou, isto é, ela é a culpada pelos crimes cometidos por um diretor ladravaz.

Pouco depois, na reportagem do mesmo O Globo, subscrita por Clarice Spitz, intitulada “Ação nos EUA contra Petrobrás cita Dilma”, os advogados e especialistas consultados ( exceto uma ) afirmam que “o objetivo é chamar a atenção e há poucos efeitos práticos”, porque “tanto Dilma como ministros e autoridades que, na época, ocupavam cargos de gestão pública gozam de imunidade diplomática e processual”.

Em termos mais corriqueiros o escritório americano Labaton Sucharow, que propôs a ação, usou uma tática que os advogados chamam de chicana, prática na qual o colunista Merval embarcou. Isso demonstra que O Globo, levado pela paixão política, pode agir como um pasquim.

Um leitor desavisado, que acredita no jornal, e que tende a achar que tudo que se faz nos Estados Unidos é melhor do que no Brasil, forma o seguinte juízo precipitado: está provado que “Dilma sabia”, que “José Dirceu sabia”, que “Lula sabia”, porque todos eles, “como todo mundo sabe”, são ladrões. Esse tipo de raciocínio primário é um dos malefícios do “moralismo” que está grassando,de novo, na opinião pública brasileira.

Pobres leitores de O Globo, vítimas dessas campanhas moralistas, que perdem o senso crítico, e acabam oligrofrênicos.


POR UM MUNDO MAIS RAZOÁVEL

Diz a sabedoria popular, politicamente incorreta, que Fidel Castro, quando consultado, há anos, sobre o reatamento das relações de Cuba com os Estados Unidos, fez uma blague: só quando o Papa for argentino e o povo americano eleger um preto para presidente.

Agora, depois desse gesto recíproco de Obama e Raul Castro, tão auspicioso, a Coréia do Sul prepara um fundo de 500 bilhões de dólares para uma possível futura unificação das atuais duas Coréias, o que seria ótimo.

Só faltará o premiê Netanyahu voltar atrás da política dos assentamentos e deixar surgir o Estado Palestino.

São os votos deste Blog para o Ano Novo de 2015 !