A NECESSIDADE DE FAZER ESCOLHAS

No artigo no Caderno Aliás, do Estadão, intitulado “Do sonho à práxis: Marina terá de fazer escolhas concretas, especialmente em economia e política externa”, o sociólogo e professor WAGNER IGLECIAS, depois de ter reconhecido que o PSDB e o PT, no poder nesses últimos 20 anos – embora criticados por adotarem o chamado “presidencialismo de coalização”-  nunca prescindiram, no discurso e na prática, “ da institucionalidade partidária” nem resvalaram para “o voluntarismo”,  questiona o discurso de MARINA SILVA que, mesmo não sendo JÂNIO nem COLLOR, propõe governar “ numa relação mais direta com a sociedade”.

Segundo IGLECIAS há duas grandes questões políticas em jogo em nosso País, neste momento: no plano interno, a) a disputa distributiva  “entre mais recursos para programas sociais e investimentos” e b) a “rolagem da dívida pública”; e, no plano externo, entre c) a “maior autonomia e busca pela construção de um mundo multipolar” ou d) o retorno à “proximidade com potências tradicionais, como os Estados Unidos e a União Europeia”.

Ficou claro, para mim, que a histeria “anti-Dilma”, que leva – como se dizia em meu tempo – os “alienados” em política a declararem, entusiasmados, o seu voto em MARINA, em substituição à AÉCIO, tem uma razão mais profunda do que a alegada antipatia pessoal.


DOIS ERROS PERIGOSOS

O presidente russo erra ao ameaçar usar a bomba atômica.

E o Ocidente erra ao tentar encurralar a Rússia, usando, para isso, a Ucrânia.

Todos nós, no planeta, corremos um risco enorme, diante dessa dupla irresponsabilidade.


O RISCO DOS “CHOQUES”

Levar um choque – numa cadeira elétrica, por exemplo – causa a morte do condenado. Duvido, por outro lado, que qualquer presidente – ou presidenta – eleito ou reeleito vá dar um choque. Concordo, portanto, com as duas seguintes conclusões de TONY VOLPON, no artigo “Quando o micro estraga o macro”, no jornal Valor Econômico:

“ (a) Portanto, no debate ‘gradualismo versus choque’, nossa conclusão é que a estratégia correta seria uma combinação dos dois: um ‘choque’ nos desmonte das distorções e intervenções microeconômicas, com um ajuste gradual, que talvez nem seja necessário, sobre as variáveis macroeconômicas, juros e câmbio.

(b) Também devemos concluir que a volta do crescimento, o ajuste das contas externas, como a estabilização da inflação em patamares menores, podem ocorrer de forma mais rápida do que se espera. Basta remover os entraves ao funcionamento do sistema de preços desses últimos anos, junto com uma transparência e execução das políticas macroeconômicas.”

Estranhei, apenas, o articulista não se referir  à necessidade de eliminar a indexação residual. Ao começar a ler o artigo, parecia-me que ele tocaria nesse ponto. Ele coloca uma questão realmente intrigante: “ por que depois de uma alta de 3,75% na taxa SELIC, a dinâmica subjacente da inflação, desconsiderando choques exógenos e sazonais, não mostrou nenhuma melhora ?” Mais adiante, o texto aborda outro ponto relevante, ao se referir à existência de uma ‘cunha’ responsável pela “falta de impacto sobre a inflação da alta de juros”.

Essas “cunhas” impedem, em última análise, o funcionamento do sistema de preços. Tive a esperança de que o artigo mencionasse as brechas do Plano Real como concausa dessas cunhas, o que não ocorreu. Tal não significa, porém, que elas inexistam. A meu ver, ao deixar de fora da desindexação da Economia alguns setores, especialmente o mercado de capitais e o Judiciário, ao disciplinar, erroneamente, a URV e ao não editar uma norma de conversão das obrigações monetárias antigas nas novas a indexação foi “empurrada com a barriga” , e sobrevive – embora mitigada – até hoje, e isso “engessa” a Economia e cria disfunções a ser superadas

De qualquer modo, a situação brasileira, como demonstra o artigo de VOLPON,  não é tão grave quanto se diz e pode ser resolvida, sem grandes choques, depois das eleições.


A “CARA” DA ECONOMIA

Numa era mais de imagens do que de palavras, em que nós vivemos, tudo deve ter uma fisionomia que identifique do que se trata.

Na atual campanha eleitoral, MARINA SILVA tem a cara de EDUARDO GIANETTI DA FONSECA, a de AÉCIO NEVES tem a cara de ARMÍNIO FRAGA e a de DILMA ROUSSEFF, a de GUIDO MANTEGA.

Dentre as três a melhor me parece a de ARMÍNIO FRAGA e a mais desgastada a de GUIDO MANTEGA.

Não seria o caso de a campanha de DILMA dar um retoque nessa imagem ?