A ÉTICA INTERNACIONAL E O CALIFADO ISLÂMICO

A despeito do seu alinhamento incondicional a Israel os Estados Unidos tentaram, inutilmente, convencer o governo radical direitista de BENJAMIN NETAHYAHU a levar adiante o diálogo com os palestinos e contribuir para a criação de dois Estados nos territórios objeto da disputa entre os dois povos.

A intransigência indisfarçável de NETANYAHU revela-se, a cada dia, mais perigosa, não só para o Oriente Médio, como para o mundo inteiro. O Exército do Iraque e do Levante tem a pretensão de criar um “califado islâmico” que ameaça vários Estados, dentre eles Israel.

É claro que Israel tem como se defender militarmente. Mas parece-me claro, também, que isso não basta. É preciso conviver com os vizinhos, o que será difícil enquanto durar a submissão imposta ao povo palestino.

Após o fim da Primeira Guerra as antigas potências imperiais do Ocidente – especialmente a Grã Bretanha – traçaram fronteiras políticas que estão sendo rapidamente apagadas. Com o fim do império britânico, os Estados Unidos herdaram a tarefa de manter vivas essas fronteiras, no que fracassaram, mesmo depois do morticínio que impuseram à população que vivia no Iraque.

Como advertiu o presidente OBAMA existe uma ameaça terrível, de que extremistas  adiram à causa dos  islâmicos do Levante, e ingressem no território americano com passaporte europeu. A ética internacional – a mesma que impôs o término do apartheid sul africano, é muito poderosa, e não deve ser ignorada. Para conter o Califado Islâmico é imperioso que governos moderados substituam os dirigentes radicais, não só na Síria e no Iraque, mas também em Israel.


NÓS E ELES

Outro dia, numa entrevista do economista JEFFREY SACHS, sobre sustentabilidade, ele salientou que certas medidas são tão importantes, que elas precisam superar a tradicional divisão política do “nós contra eles”, já que o mais importante é a união em torno de objetivos comuns.

É o mesmo caso, a meu ver, no Brasil, quando se trata da necessidade de extinguir a indexação.

As declarações, ao Globo.com, do Economista e ex-presidente do Banco Central (1992/1993 e 1995/1997), GUSTAVO LOYOLA, por exemplo, são um alerta que precisa ser ouvido. Segundo ele, o  Brasil ainda tem muitos mecanismos de indexação, herdados do período de inflação alta, que ainda não foram desmontados. Esse é um dos principais riscos para que os preços acelerem e o país fique novamente frente a frente com a hiperinflação. Esclarece ele, a esse respeito:

“Não vejo risco imediato ( de passarmos de uma inflação de 6% ao ano para uma hiperinflação) . Porém, nossa própria história ensina que a tolerância com a inflação acaba permitindo sua aceleração gradual que pode desembocar num processo hiperinflacionário. Isso é particularmente verdade num país como o Brasil, onde há mecanismos de indexação herdados do período de elevada inflação e que, embora dormentes, não foram totalmente desmontados.”

E conclui:

“ Devemos retomar a trilha iniciada no plano Real e que foi abandonada no meio do caminho. A meu ver, o plano Real deve ser visto como o início de um processo para tirar a economia brasileira do atraso e não como uma obra feita e acabada, Se esse processo for abandonado no meio do caminho, o risco é perder tudo o que foi construído até agora”.


O MEU PRIMEIRO ROMANCE

“Estamos na velha Inglaterra, no ano de 1609”… Esse era o começo do primeiro romance – de aventuras – que eu pretendia escrever. Um dos problemas, porém, era o meu absoluto desconhecimento do que costumava acontecer na Inglaterra no início do século XVII e, por isso, depois da terceira ou quarta páginas, não tinha mais assunto.  Teria que voltar a escrever pequenas trovas e a minha nova musa, no lugar da Olguinha, do Jardim de Infância, era a Cecília, vizinha de rua, com quem, na época do Primário,  tive a primeira experiência amorosa, uma carícia de mãos.

Naquele tempo, em que não havia sequer televisão, os pais ricos dos nosso amigos compravam um projetor de 16 mm e alugavam filmes, às vezes na Mesbla, outras vezes nas próprias distribuidoras americanas, que tinham escritórios na cidade, perto da Embaixada dos Estados Unidos. Quando as luzes se apagaram a Cecília, que estava a meu lado, pediu-me para apertar a sua mão, o que fiz com toda força, tal como, mais tarde, precisei, de fato, fazer com os fisiatras e neurologistas que queriam saber a extensão da lesão que um pequeno coágulo causara na área motora esquerda do meu cérebro. Ela, porém, ponderou: – Devagarzinho…. E tive, então,  a primeira deliciosa sensação de um contato físico amoroso, que se prolongou durante todo o decurso do filme, nós dois de mãos dadas.

Escrevi vários poemas para a Cecília como, depois, já no curso Clássico, fiz  diversos para as minhas colegas de turma do colégio Mello e Souza. Descobri, mais tarde, que embora elas gostassem de ser personagens de versos de amor, a verdadeira emoção era a minha, interior; e que as mulheres são muito mais objetivas do que desconfia a nossa vã filosofia juvenil.


APRENDENDO NAS ENTRELINHAS

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É preciso ler nas entrelinhas para entender as notícias. Só agora se soube, por exemplo, que, em 2011, um grupo de técnicos do governo traçou uma detalhada radiografia do que teria que ser feito nos preços administrados e livres para desatrelá-los da inflação passada, responsáveis por cerca de 30% do IPCA .

Isso consta de um texto de CLÁUDIA SAFATLE, no caderno especial “Eu & “ do fim de semana, do jornal Valor Econômico, intitulado “Um plano inacabado”, que é do seguinte teor:

“ A permanência de mecanismos de indexação –estendidos ao salário mínimo por LULA – e experimentalismos em busca de atalhos que levassem à estabilidade de preços para o crescimento de forma indolor deixaram o Plano Real inacabado.

Chegou-se a trabalhar, em 2011, em propostas ambiciosas de desindexação da economia, que abarcariam desde os investimentos financeiros indexados ao DI ( juros médios das operações interbancárias ) a preços que teriam uma indexação ‘oculta’ – ou seja, preços que, embora livres, não obedecem aos ciclos econômicos e trazem algum mecanismo de correção automática.

Um grupo de técnicos do governo traçou uma detalhada radiografia do que teria que ser feito nos preços administrados e livres para desatrelá-los da inflação passada. Boa parte dos administrados, responsáveis por 30% do IPCA, são regidos por contratos com reajustes anuais atrelados a índices gerais de preços e 70& dos preços livres também são corrigidos por algum mecanismo que leva em conta a inflação passada. Um exemplo disso são as negociações salariais que tomam como piso o percentual de aumento do salário mínimo. O assunto morreu “

Esse assunto que morreu precisa ser ressuscitado. Sob pena de morte do próprio Plano Real….