INTRÍNSECO E ABSOLUTO

A moeda é um valor – relativo, como todos os demais valores, de vez que não há valores absolutos.

A relatividade dos valores, contudo, é muito difícil de aceitar, porque – tal como ocorre com as religiões – o ser humano sente necessidade de se apegar ao absoluto. Como dizer, então, que a moeda, tão relevante para a nossa vida, não tem um valor íntrínseco, isto é, absoluto ?

Essa questão está ligada a uma outra, também muito importante: a do fundamento do valor. O fundamento da moeda é a Constituição. Haverá, porém, um fundamento exclusivo do valor ? A resposta é negativa.

O fundamento da moeda, quer ela seja pensada como peça monetária, ou como medida de valor, é a Constituição.  O fundamento da moeda, contudo, especificamente como valor, é histórico, e pode ser, em alguns casos, diferente do fundamento  histórico da Constituição.

No caso do Brasil, por exemplo, a Constituição Federal de 1988 tem seu fundamento histórico nas constituições anteriores, que são de épocas diferentes das moedas anteriores que constituem o fundamento histórico do Real.

São diferentes, pois, fundamentos históricos, respectivamente da Constituição e da moeda, mas apenas na medida em que podem ser de épocas diversas.

Não é correto, assim, usar a noção de intrínseco com uma conotação nominal, relativa; porque intrínseco, de fato, é sinônimo, no caso da moeda, de absoluto.


A QUESTÃO SÍRIA DISCUTIDA NA CÚPULA DO IRÃ

A leitura das notícias sobre a cúpula dos países não alinhados, que está tendo curso no Irã – com a presença, entre outros,  do Secretário Geral da ONU, BAN KI-MOON  e do recém eleito presidente do Egito, MOHAMED MORSI –  demonstra, claramente, a vantagem de as questões do Oriente Médio serem discutidas pelos próprios países da região.

O presidente do Egito, por exemplo, deu a seguinte declaração, que é um marco de sensatez:

Devemos todos expressar nosso total apoio à luta daqueles que estão exigindo liberdade e Justiça na Síria e traduzir nossas simpatias numa visão política clara apoiando a transição pacífica para um regime democrático.”

Pouco antes, nesse mesmo discurso, MORSI afirmara:

O banho de sangue na Síria é responsabilidade de todos nós e não vai parar enquanto não houver uma intervenção de fato para acabar com ele. A crise síria faz nossos corações sangrarem”

Note-se que isso foi dito em Teerã, na presença de representantes do governo sírio – que, expressando seu protesto,  deixaram a cúpula, em seguida – por um presidente egípcio cujo comparecimento à reunião o Ocidente não queria e fez o que pôde para impedir.

Também BAN KI-MOON, normalmente tão comedido, foi á reunião mas teve a disposição suficiente para condenar a negação do Holocausto, tentando afastar um dos obstáculos aos entendimentos entre o Irã e as potências ocidentais.

Por ultimo, o diplomata sírio DANNI-EL – BAAJ, que abandonou o regime de Damasco, em entrevista ao correspondente JAMIL CHADE elogiou a posição no Brasil no conflito, embora  considerando que ela não teve a eficácia de evitar o agravamento da situação, e tenha servido de base para ASSAD dela “abusar”. No entender de EL-BAAJ :

“Chegou o momento de o Brasil ajudar a fazer pressão e dizer claramente que ASSAD precisa deixar o poder para que o banho de sangue seja interrompido. O Brasil ainda tem influência e essa mensagem sua teria grande peso.”


MITT ROMNEY & WASHINGTON LUIZ

Para meu espanto um dos itens do programa do partido republicano nos EUA, segundo o Estadão, é o seguinte ( o último de uma lista de 11 pontos ):

“Criação de uma comissão para estudar a volta de um padrão fixo de variação do dólar, de preferência metálico.”

Esse mesmo ponto foi defendido, no Brasil, na década de 1920, pelo candidato à presidência, WASHINGTON LUIZ, em sua campanha eleitoral, que fez da volta do padrão ouro um tema central do seu programa de governo.

Defender o retorno ao padrão ouro – que o presidente republicano, NIXON, aboliu, definitivamente, em 1971 – é o atraso do atraso, além de consistir numa falácia naturalística.

A moeda não tem um conteúdo material. O conteúdo da moeda é uma conduta humana, tal como descrita na norma monetária. A idéia de que a moeda – ou, mais exatamente, o valor – encontra-se na natureza, consiste numa falácia naturalística, uma vez que, através dessa noção, o  que se pretende é fundamentar a validade de uma norma na realidade, confundindo-se os planos distintos do ser e do dever-ser.

O anacronismo da pregação do padrão metálico – KEYNES dizia que o ouro era uma “relíquia bárbara” – é assustador, uma das coisas mais retrógradas e erradas do programa republicano, além de ser demagógica, porque não há metal no mundo em quantidade suficiente para servir de lastro à milionésima parte da dívida pública dos EUA que está na casa de um trilhão de dólares .

Metade da sociedade americana  parece acreditar no que dizem os republicanos. Se as coisas seguirem o curso esperado por eles  em breve seus candidatos estarão defendendo, abertamente, a tortura, a alquimia e o retorno definitivo à baixa Idade Média.


O FIM DA GERAÇÃO COCA-COLA

Um dos ícones norte-americanos é a Coca-Cola, que deu nome a uma geração mas que, agora, em decorrência da luta contra a obesidade está sofrendo restrições – inclusive através de aumento de tributação – em vários países desenvolvidos.

Indústrias multinacionais, até então altamente rentáveis – como as do fumo e dos refrigerantes – estão trilhando um caminho descendente, o que é um dos sinais do tempo atual.