THE MOUSE THAT ROARED

 

No filme de PETER SELLERS a trama se desenrola no ducado de Grand Fewich mas, na realidade, pode ser isso que esteja ocorrendo, no Oriente Médio,  diante da intolerante atitude belicista do Estado de Israel em relação ao Estado do Irã.

Na reportagem de hoje, do Estadão – “Temor de que Irã ‘ se blinde’ de ataque leva Israel a acelerar planos de guerra”- o jornalista Roberto Simon refere-se à opinião de ALI VAEZ, pesquisador da Federação de Cientistas Americanos, segundo o qual, no cálculo de Tel-Aviv, há considerações políticas e logísticas importantes.

Diz ALI VAEZ:

“ Os israelenses acreditam que, se existe um momento em que os EUA não terão opção a não ser segui-los rumo à guerra, é durante a campanha presidencial americana. Não há como OBAMA se opor a um ataque ao Irã sem ameaçar a sua reeleição.”

Ainda, segundo ele, “candidatos republicanos, como NEWT GRINCICH e RICK SANTORUM apóiam, abertamente, um ‘ataque cirúrgico’ às instalações iranianas e o mote do discurso republicanos em política externa é que OBAMA virou um ‘apaziguador’. Até novembro, quando ocorrem as eleições, será esse o clima político em Washington”.

Como diria o jornalista brasiliro ANCELMO GÓIS: “É, pode ser.” Mas, acrescento eu, pode não ser.

Esse suposto raciocínio do grupo belicista de Israel que, aparentemente, é contra OBAMA – um “apaziguador” –  é, na verdade, uma tentativa de intervenção política no âmago da vida dos Estados Unidos e dos americanos, em que ha um enorme risco, de o feitiço virar contra o feiticeiro. Os lobbies internos americanos podem interferir – e interferem – nas eleições note americanas. Mas um Estado estrangeiro, qualquer Estado estrangeiro – especialmente um aliado – não pode fazer isso impunemente.

Se vista – como efetivamente é – uma interferência indevida de um pequeno Estado estrangeiro no que os Estados Unidos têm de mais sério, e mais prezam, que é o seu regime invejável de eleições livres – o ataque “cirúrgico” de Israel ao Irã pode produzir o efeito político inverso ao supostamente pretendido pelos “judeus guerreiros”, que NETANYAHU tanto admira.

As eleições são um   jogo estratégico e, nesse jogo, todos os movimentos dos parceiros devem estar sendo previstos pelo outro jogador. É claro, portanto, que os democratas cogitam – e há muito tempo devem estar cogitando – desse “golpe” dos republicanos suscitado por certas autoridades políticas e militares israelenses. E, também certamente, têm uma resposta para esse lance. Ou, em outras palavras, há muitas chances de os democratas conseguirem não ser reféns do Estado de Israel e, por isso mesmo, o presidente OBAMA tem se revelado um defensor das sanções “duríssimas” contra o Irã, mas não a guerra ( embora todas as opções estejam, segundo ele, sobre a mesa ).

A política de OBAMA – que, sendo o presidente dos EUA, é a política do seu país – é, portanto, favorável às sanções duríssimas, mas não à guerra. Tanto que, no seu discurso sobre o estado da Nação, do início do ano, só falou, numa única frase, para não deixar margem para dúvidas, nessa opção.

O governo iraniano está sentindo o peso dessas sanções, tanto que já demonstrou sua vontade de voltar à mesa de negociações. Essa solução será uma vitória diplomática não apenas de OBAMA, mas dos EUA. Será que o governo do Estado de Israel é tão louco que pretenda derrubar tudo isso, em nome de um discutível “princípio” – que é a tal “zona de impunidade” ( isto é, o ponto em que além dele não há mais retorno para deter o avanço iraniano para obter a bomba ) ?

Convém notar, a esse propósito, que o Irã não só não tem a bomba, como diz não querer fabricá-la. Ninguém acredita nisso, mas isso pode ser verdade – e, de qualquer modo, não há dúvida de que, se fabricar a bomba, os EUA por certo intervirão, se e quando isso ocorrer. Assim como não querem que o Irã feche, em caso de conflito, o estreito de Ormuz, os americanos não querem que o Irã tenha a bomba atômica, não apenas por causa de Israel, diga-se de passagem.

Mas vamos admitir que a loucura tome conta do governo de Israel, e eles desencadeiem um ataque “cirúrgico” às instalações nucleares do Irã, e façam isso antes da eleição de novembro, para obrigar os EUA a apoiá-los.

Tudo isso, porém, pode não dar certo. O ataque pode não ser tão “cirúrgico”; pode não ser tão eficaz, e os EUA podem não gostar dele. Nesse caso, a guerra pode ser prolongada – o que é péssimo para Israel – pode espalhar-se por todo o Oriente Médio, pode despertar a opinião pública americana contra a guerra, pode, enfim, beneficiar OBAMA, e prejudicar os republicanos.

Se isso correr, reeleito OBAMA, o governo do Estado de Israel vai pagar um preço político por sua interferência – ou tentativa de interferência – no âmago da vida americana. E a gente não vai pode “bem feito” pelo fato, apenas, de que a loucura de um governo pode causar, como sempre acontece nesses casos, muitos males à Humanidade.

 

 

 

 


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