O IRÃ E SEUS FACTÓIDES
A imprensa internacional está tentando entender o que o Irã efetivamente pretendeu ao divulgar, com estardalhaço, supostos avanços em seu controvertido programa nuclear ao mesmo tempo em que escrevia para os líderes europeus demonstrando sua intenção de retomar as conversações multilaterais sobre o referido programa.
É que os jornalistas estrangeiros não conhecem a gíria brasileira “factóide” que já entrou no vernáculo e é assim definida pelo AURÉLIO:
“Fato, verdadeiro ou não, divulgado com sensacionalismo, no propósito deliberado de gerar impacto diante da opinião pública e influenciá-la: “
O factóide, em política, é importante, porque ele mexe com as peças do tabuleiro sem mudar a posição estratégica do jogador.
No caso do Irã, ele precisa agradar o público interno – que é a favor do programa nuclear de seu País – e o público externo, que é radicalmente contra.
Nas últimas semanas a imprensa mostrava, apenas, declarações bombásticas contra o Irã, especialmente de Israel, que não faz outra coisa senão ameaçar bombardear as suas instalações nucleares.
É preciso que as sanções da ONU contra o Irã funcionem, para que não haja uma guerra louca na região. Mas, mesmo para entregar o jogo, e mudar a sua estratégia, o Irã não pode humilhar-se.
Daí, o factóide iraniano que, a meu ver, é bem vindo.
A comunidade internacional, ao que tudo indica, está unida contra o programa nuclear iraniano.Como não estamos mais no tempo da Guerra Fria, os anti americanistas não ficam obrigados a ser a favor dos países que estiverem enfrentando os norte americanos, com o apoio da Rússia e da China. Fica impossível, assim, para a opinião pública mundial tomar, atualmente, o partido da Síria e do Irã.
Embora uma guerra na região, especialmente se for prolongada, vá ser muito desgastante para o Estado de Israel e para o Ocidente em geral, ela também não interessa à Síria, nem ao Irã, nem a ninguém – salvo aos belicistas de plantão. Sendo assim, é melhor parecer que o jogo estratégico está recomeçando, com algumas concessões, de parte a parte, para que a situação no Oriente Médio se estabilize.
O que será, diga-se de passagem, mais uma vitória diplomática da Administração OBAMA – e também da brasileira – que não querem a guerra.

O Wikipedia diz que a palavra “Factoid” em inglês foi inventada por Norman Mailer, em 1973 na biografia de Marylin Monroe de sua autoria.