O EXEMPLO DA CORÉIA DO NORTE

Enquanto os belicistas, contrariando as informações dos serviços de segurança norte americano, insistem em pressionar os EUA para agir militarmente contra o Irã – que não tem a bomba atômica – a Coréia do Norte, que a tem,  retoma as negociações para trocar alimentos por uma moratória nuclear.

O exemplo da Coréia do Norte demonstra, a meu ver, que a preocupação dos inimigos do Irã não é a possível fabricação de uma bomba nuclear, mas o crescimento do país no Oriente Médio, afetando todo o tabuleiro estratégico da região.

Considero exemplar a conduta do presidente OBAMA que consegue manter a cabeça fria diante de tanta irracionalidade.

Tomara que ele se mantenha nessa linha de moderação.


OS RISCOS NA SÍRIA

Comentei, num post de 25 do corrente, um artigo de ANNE-MARIA SLAUGHTER, ex-diretora de Planejamento do Departamento do Estado, publicado no NYT, em que ela adverte quanto aos perigos de fornecimento de armas estrangeiras à oposição síria pois isso, segundo ela,

traria à tona o cenário que o mundo mais deveria temer: uma guerra indireta que se espalharia para o Líbano, Turquia, Iraque e Jordânia, dividindo a Síria segundo critérios sectários.” 

Esse é o risco que o jornalista ROGER COHEN está propondo que seja assumido, como comentei no post imediatamente anterior.

Por sinal, como informou, ontem, a televisão, tanto os EUA como a França já estão armando os rebeldes sírios.

A Síria, pelo visto, não está vivendo mais um episódio da “primavera árabe”.

Estão querendo torná-la palco de disputas estratégicas mal explicadas, à revelia do sistema do Direito Internacional.


SERÃO MAIS EFICAZES AS SOLUÇÕES MILITARES ?

A diferença que eu vejo entre a posição diplomática do Brasil – e de outros BRICs – e de outros países diz respeito ao tempo: as soluções militares parecem ser, para quem as defende, mais rápidas do que as soluções políticas.

Nas soluções militares, por outro lado, há menos concessões do que no caso das soluções políticas. Além disso, os que pregam as soluções militares são, em geral, os que tem maior poder militar, e crêem que vão ganhar, sem medir as conseqüências.E, por último, não posso negar a evidência de que, em certos casos, os fatos se encaminham para as soluções militares, quando a política não funciona; mesmo porque “a guerra é a política sob outra forma”.

Há grandes colunistas americanos e, dois deles, são alvo de minha admiração especial: NICOLAS KRISTOFF e ROGER COHEN. Quando a tensão subiu na Líbia KRISTOFF propôs, com uma clareza incrível, a imposição, pela OTAN, de uma zona de exclusão aérea. Agora COHEN, com igual nitidez, propõe que sejam fornecidas armas aos rebeldes sírios.

O Brasil e a Rússia não são favoráveis à essa solução, de fornecer armas aos rebeldes, e sugerem que a política ocupe maior espaço.

O resultado da instituição de uma zona de exclusão aérea na Líbia, a gente sabe qual foi: a OTAN ultrapassou o mandato que recebeu e atuou, diretamente, para a deposição e morte de KADAFI. E a situação política na Líbia, hoje –embora as companhia de petróleo devam estar satisfeitas – é uma incógnita.

O que acontecerá quando as armas propostas por COHEN chegarem ( que, por sinal, parece que já estão chegando) ?

O governo de ASSAD, há poucos dias, fez um lance político importante, mudando a Constituição, limitando o mandato do presidente, e deixando de considerá-lo guardião da sociedade ( mas, apenas, do Estado ). Trata-se, porém, de uma medida que terá conseqüências de longo prazo, e COHEN, mesmo que não diga isso, quer uma medida eficaz,  que defina a situação rapidamente.

Sei que na Síria, hoje, estão sendo decididas questões que envolvem o interesse de outros países, especialmente de Israel e do Irã, e que uma derrota de ASSAD representará um duro golpe político sobre o Irã. Muitos entendem que uma vitória política ( político-militar, pelo visto ), na Síria é muito melhor para Israel do que uma guerra contra o Irã.

Está-se caminhando, assim, para provocar uma guerra civil na Síria. A guerra, e os defensores da guerra, ainda acabam vencendo, no começo. No fim, tem sido sempre uma tragédia.

É bem possível que ROGER COHEN – como deve estar acontecendo, agora, com KRISTOFF – acabe se arrependendo a proposta que fez no seu artigo de hoje “Armemos, agora, os rebeldes sírios”.


A PRODUTIVIDADE DA JUSTIÇA

É muito ilustrativo o artigo de JOSÉ PASTORE com o título que serve de epígrafe a este post. A Justiça, no Brasil, é caríssima, constituindo um peso morto para a sociedade.

A solução que ele recomenda, porém, é a mesma do CNJ – conciliação – e não funciona. Fala-se em conciliação desde os tempos do Código de Processo de 1973, e ela nunca funcionou.

A dificuldade da conciliação decorre, além de outras causas, do fato de que não temos uma ordem monetária, onde 2+ 2 são quatro. Quando a aritmética monetária deixa de funcionar, as pessoas ficam inseguras, e não fazem acordo. Elas ficam discutindo, como os agiotas, os acessórios, e se esquecem do principal.

A solução que eu venho propondo há muitos anos – e acabará prevalecendo – para diminuir o custo e aumentar a produtividade da Justiça é acabar com a correção monetária residual.