AS SANÇÕES CONTRA O IRÃ SERÃO EFICAZES ?
As sanções, nos Direitos Nacionais, são tão relevantes, que o maior jurista do século XX, HANS KELSEN, baseou-se nelas para explicar o Direito.
O Direito Internacional, por sua vez, tenta usar as sanções com o mesmo significado que elas têm nos direitos nacionais, ou seja, para desestimular condutas indesejadas, sob pena de privação da vida, da liberdade ou da propriedade.
Mas, nos Direitos Nacionais, o monopólio do violência está centralizado no Estado, o que não acontece no Direito Internacional que é, segundo KELSEN, uma ordem jurídica primitiva, em que até a pior sanção, que é a guerra, tem um caráter unilateral.
De qualquer modo, as sanções internacionais – inclusive esta, agora, contra o Irã – são empregadas para desestimular condutas indesejadas: no caso do Irã, para desencorajá-lo a fabricar bombas atômicas.
Essa espécie de sanção “não bélica” no Direito Internacional, segundo pesquisa do Estadão, foi “inventada” por WOODROW WILSON, quando presidente dos Estados Unidos que dizia:
“Uma nação boicotada é uma nação à beira da rendição. Aplique esse remédio econômico, silencioso, pacífico, e mortal, e não haverá necessidade de usar a força”.
Tratava-se, como se vê, de uma solução pacifista, que deu certo em vários casos, como, por exemplo, para acabar com o apartheid na África do Sul e para mudar o regime de Mianmar; mas tem sido um fracasso em outros casos, como contra MUSSOLINI, contra a Coréia do Norte, contra Cuba e contra o Iraque.
O problema maior das sanções não bélicas – no meu entender – é o seu emprego como um passo na escalada para a guerra, como aconteceu no Iraque, e a diplomacia brasileira, e muitos analistas internacionais, receiam que aconteça, agora, no Irã.
Além de poderem ser – como parece que têm sido – ineficazes, as sanções contra o Irã têm repercussões econômicas negativas. No caso do bloqueio dos ativos do Banco Central iraniano, por exemplo, como alerta DJAVAN SALEHI-ISFAHANI (economista iraniano e pesquisador do Brooking Institute de Washington ) em entrevista a Roberto Simon do Estadão, os regimes simpáticos ao islamismo, transferirão os haveres dos seus bancos centrais para a China, retirando-os dos países ocientais.
Por outro lado, no caso do embargo à compra de petróleo, a grande beneficiária parece que será, igualmente, a China. A vulnerabilidade dos países europeus a esse embargo é tão grande, que o parlamento iraniano está preparando uma resposta política fortíssima à iniciativa, proibindo, desde logo ( antes de julho, que é o prazo dado pelos países da Comunidade Européia ), a exportação de petróleo para esses países. A China terá, em conseqüência, maior disponibilidade de petróleo iraniano, e a preços mais baratos.
Diante desses fatos, que não podem ser ignorados pelo presidente OBAMA, qual será a razão pela qual as sanções “duríssimas” foram impostas ao Irã ?
Eu parto da suposição – otimista – que essas sanções não são a ante véspera de uma guerra ( porque OBAMA não quer ver eclodir uma guerra num ano de eleição), e servem como uma justificação perante Israel, para que ele, também, não tome a iniciativa de um ataque isolado contra as instalações nucleares do Irã. Trata-se, portanto, a meu ver, de uma medida tomada com vistas à reeleição de OBAMA.
Os jornais noticiaram, ontem que o presdidente AMAJINEHEAD afirmou que o Irã não descarta acertar um acordo com as potências ocidentais. Sabe-se, também, que o presidente OBAMA enviou uma carta ao aiatolá KHAMENEI propondo entendimentos bilaterais sobre o programa nuclear iraniano.
Hoje, uma missão de alto nível da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) chegou a Teerã para inspecionar as instalações nucleares iranianas. A equipe de seis especialistas é liderada por HERMAN NACKAERTS. Durante a estada, de três dias, os especialistas da AIEA visitarão as principais instalações atômicas do país e discutirão com as autoridades iranianas sobre o controvertido programa nuclear da República Islâmica.
‘Esperamos que o Irã se envolva conosco em nossas preocupações em relação à possível dimensão militar do programa (nuclear)’, declarou este sábado à imprensa no aeroporto de Viena NAECKERTS, diretor-adjunto da AIEA para salvaguardas. NAECKERTS, segundo a agência EFE, assegurou que o organismo está impaciente para retomar o diálogo com Teerã.
Em comunicado emitido na semana passada, a AIEA indicou que esta visita – pouco usual por causa da elevada categoria de seus integrantes – tem como objetivo ‘resolver todos os assuntos substanciais pendentes’ do polêmico programa nuclear desse país.
Ou seja: tudo parece indicar que, nesse ano eleitoral dos EUA, o Ocidente, capitaneado pelos americanos, e o Irã, estão em vias de concluir um acordo que evite uma guerra, que seria catastrófica para todos os países interessados.
Isso dará a impressão ao mundo de que as sanções duríssimas – mas não bélicas – contra o Irã funcionaram.
