TENTATIVA DE EXPLICAÇÃO PARA UMA FRASE DO DISCURSO DE OBAMA

 

 

A leitura da entrevista  do diplomata iraniano, HOSSEIN MOUSAVIAN ( concedida ao El Pais e transcrita, há dois dias, em O GLOBO ) fornece, a meu ver, a explicação para a pequena frase em que o presidente OBAMA faz referência ao Irã, no seu discurso de ontem sobre  o estado da nação, que é a seguinte:

“Graças a um esforço diplomático para conseguir que o Irã cumpra suas obrigações, o governo do referido país enfrenta, hoje, algumas sanções mais duras e restritivas do que nunca.”

Embora o professor MOUSAVIAN vislumbre uma contradição nessa posição do presidente OBAMA – que “ começou o seu mandato prometendo conversar com o Irã e mudar uma história de 30 anos de inimizade, mas agora se diz orgulhoso de ter conseguido mobilizar o mundo e estabelecido um regime de sanções sem precedentes contra o Irã” – acredito que as sanções contra o Irã ajudarão a conduzir a uma negociação diplomática entre as partes.

Discordo de MOUSAVIAN quando ele diz que Israel depende do aval dos EUA para atacar o Irã.  Israel gostaria desse aval, mas não é de seu estilo subordinar-se às exigências de quem quer que seja, mesmo do país que é o seu maior e, em certos casos, único aliado.  Além disso,o governo de Israel tem um trunfo político muito grande que deve estar usando. Se atacar as instalações nucleares iranianas inviabiliza a reeleição de OBAMA, que sabe disso. OBAMA, portanto, não quer, de jeito nenhum, que Israel bombardeie o Irã, mas não tem a segurança absoluta de que isso não acontecerá.

Diz MOUSAVIAN que Israel fala em bombardear o Irã desde 1979, e até hoje não cumpriu a sua ameaça; que o risco desse bombardeio é enorme, e poderá prejudicar Israel, mais do que qualquer outro país. Mas ele despreza uma possibilidade efetiva e  manifesta uma crença a meu ver excessiva no bom senso das autoridades israelenses que se acham sempre acima do bem e do mal.

Creio que as sanções duríssimas contra o Irã, das quais agora se gaba o presidente OBAMA, estão sendo o preço pago pelo  atual governo americano para acalmar o governo de Israel, e evitar um ataque  antes das eleições americanas.

Por outro lado, parece claro que se os democratas resolverem,  bem, o conflito com o Irã  obterão um êxito estupendo.

A boa notícia  é que, segundo ainda MOUSAVIAN, o líder supremo dos iranianos concordaria em fazer um acordo desde que:

1) os americanos assegurem que sua intenção real não é a mudança de regime no Irã;

2) os americanos busquem uma relação baseada na não interferência, no respeito mútuo e no reconhecimento dos interesses legítimos do Irã na região e fora dela.

Pensando bem, nada disso é tão difícil assim.

Os Estados Unidos estão mais preocupados, agora, com o Oriente; e o Estado de Israel também tem, diante dele, a complicada questão da “primavera árabe”.

O Irã, por sua vez, não deve estar interessado em que um republicano qualquer se torne presidente na eleições americanas do fim deste ano. Se OBAMA não for reeleito, vai ser muito mais duro para o Irã conversar com MITT ou NEWT.

Não é impossível, portanto, um acordo do presidente OBAMA com o aiatolá ALI KHAMENEI antes da eleição nos Estados Unidos, que OBAMA atribuirá às sanções severíssimas que conseguiu impor – com o apoio unânime da União Européia e o aplauso público do primeiro ministro BENJAMIN NETANAYU – e o Irã atribuirá à eficácia das suas ameaças de fechar o estreito de Ormuz, ou a outras razões que afastem a ideia de que o seu país está sendo humilhado.

 

 


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