O DISCURSO DE OBAMA

 

 

O discurso do presidente BARACK OBAMA sobre o Estado da Nação deve ser lido como um contraponto às declarações  dos pré-candidatos republicanos à presidência dos Estados Unidos.

Além de falar como um cidadão de classe média, lembrando a importância do “sonho americano”, capaz de tornar as coisas possíveis, ele discursou sem arrogância, dizendo que não basta aos Estados Unidos ser uma potência, é preciso usar o seu poder para os fins adequados. Salientou que o país não deve tentar ir além de suas forças.

Lembrou aos americanos que seu país não tem, mais, um inimigo externo de igual porte do anterior, tentando esvaziar, com isso, a propaganda dos republicanos que procura demonizar o Irã, como se fosse um Leviatã  ameaçador. Ao Irã OBAMA dedicou, apenas, uma linha, em que ele enfatiza a esperança no sucesso de uma ação diplomática – leia-se, não bélica. Reiterou a conveniência de novos níveis de compromissos na política internacional.

As réplicas aos ataques do Partido Republicano foram feitas indiretamente, quase subliminarmente. Durante todo o seu discurso OBAMA dirige-se, com igual respeito, aos democratas e aos republicanos. As maiores críticas que faz aos adversários – quanto às vantagens fiscais que permitem aos bilionários pagar menos impostos do que às pessoas de classe média – dirigiu-as contra o lobbies.  Prometeu colocar numa página da web as informações sobre as despesas do governo, e desafiou o Congresso a fazer o mesmo quanto aos grupos de interesses que trabalham a favor dessa ou daquela lei.

Falou sobre a aceitação do homossexualismo nas forças armadas, sobre a necessidade de disciplinar corretamente a imigração ilegal, e propôs que fosse usada mão de obra intensiva para reformar as rodovias. Disse que os planos de saúde não poderão mais negar-se a prestar assistência por alguma enfermidade prévia.

Manifestou-se a favor da intervenção do Estado em certos setores, criticando, indiretamente, o neo liberalismo, com a sua pregação de governo mínimo.Criticou os economistas sectários, ao elogiar aqueles não sectários. Disse que são necessárias reformas ( só faltou dizer “de base” ) nos EUA.

Falou, longamente, sobre a necessidade de o país livrar-se da dependência do petróleo, e de fazer investimentos em energia limpa.

Mais do que em liberdade, insistiu na igualdade, pelo menos de oportunidades.

Foi um discurso que valeu como uma plataforma de governo e cujos itens devem, doravante, ser desenvolvidos pela campanha dos democratas que, a esta altura, já está começando.


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