APENAS UM MONETARISTA DE ESQUERDA

O ex-deputado ANTONIO CARLOS BISCAIA brincava comigo chamando-me de “monetarista de esquerda”.

Com efeito, se eu tivesse que me definir perante as três grandes correntes do pensamento político ocidental – o conservadorismo, o liberalismo e o socialismo – eu teria que me classificar como socialista.

E, ainda assim, cada vez admiro mais a formidável invenção humana chamada dinheiro… Haverá, nisso, uma contradição?

Creio que não. Acho um equívoco dos marxistas ortodoxos quando eles demonizam o dinheiro. É preciso que todos nós, sejamos conservadores, liberais e socialistas, procuremos entender o que é o dinheiro, deixando de subtendê-lo como se ele fosse sujo, ou precisasse ficar o tempo todo escondido nos contratos onerosos e nas Bolsas de Valores.

Temos, por outro lado,  que deixar de lado o preconceito de que o Estado não pode emitir moeda sem lastro. Há limites para a emissão; mas não há lastros, pois os lastros são coisas físicas, e a moeda não exsurge da realidade como se fossem os raios dourados que saem do sagrado coração de Jesus.

Qual é o lastro da emissão ? O ouro ( uma relíquia bárbara ), ou a prata ? Quem sabe o cobre ? Os imóveis ?  Os créditos ? Ou o dinheiro é um valor intrínseco, que cabe aos bancos centrais criar ? Tudo isso precisa ser discutido.

Em conclusão: a esquerda precisa de outros monetaristas, que não apenas eu.


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