O PONTO DE APOIO
Alguns economistas afirmam que o crédito é mais importante do que a moeda.
Essa crença parece-me errônea, pois a moeda é o fundamento de validade do crédito encontrando-se, portanto, num nível hierárquico superior,sendo, por conseqüência, mais importante do que o crédito.
Contudo, a superioridade da moeda sobre o crédito é um fenômeno apenas nacional, porque a moeda – salvo no caso do Euro – é nacional, e não internacional. No plano internacional as moedas nacionais são créditos em relação às outras moedas nacionais.
A chamada soberania monetária, portanto, tão presente nos Estados nacionais fica diluída no nível internacional, o que justifica dizer que, de uma perspectiva internacional, o crédito internacional é, efetivamente, mais importante do que a moeda nacional.
Isso explica a força, atual, do mercado financeiro globalizado, que é capaz de tratar Estados nacionais como se fossem meros clientes de bancos, que, quando devedores, precisam baixar a cabeça diante do gerente.
Embora haja um Direito Internacional com competência para disciplinar os negócios internacionais a velocidade e os meios operacionais de que dispõem as empresas que integram o mercado financeiro globalizado conseguem driblar o poder dos Estados nacionais.
Se isso tudo é verdade o meio de enfrentar, com mais energia, o mercado financeiro globalizado é criar moedas comuns regionais e bancos centrais internacionais.
A atual crise do Euro está mostrando, porém, que as coisas não são tão simples como parecem. Se os Estados nacionais, mesmo subordinados a um banco central supranacional, tomarem empréstimos no sistema financeiro globalizado e não puderem pagar, toda a zona subsumida à moeda comum fica vulnerável. Ou, em outras palavras, além do Banco Central Regional é preciso haver outros órgãos regionais de controle fiscal.
Deve-se salientar, contudo, a dificuldade de os Estados nacionais europeus modificarem os Tratados Internacionais, visando aumentar o controle e a fiscalização dos países da zona do Euro, numa época em que o próprio Euro está sendo ameaçado de destruição, e há muitas pessoas interessadas em estilhaçá-lo, especialmente os agentes do sistema financeiro globalizado.
A História contemporânea atual, pois, está marcada pelo conflito entre a globalização financeira, que se apóia no crédito, e a globalização jurídica e monetária, que tem apoio na lei, nos tratados, e na moeda.
A sobrevivência do Euro – que é a sobrevivência da própria Europa – é, hoje, o principal ponto de apoio e resistência nessa luta.
