A REDUÇÃO DA TAXA DE JUROS COMO FORMA INDIRETA DE COMBATE À INDEXAÇÃO

 

 

O editorial econômico do Estadão, sob o título “ A economia brasileira sofre com a volatilidade dos juros”, afirma, a certa altura:

“ Não se pode negar que a taxa de juros no Brasil embute uma memória da hiperinflação, que marcou nossa história recente, e também um sistema de indexação ainda presente, por exemplo, na fixação do salário mínimo para o inicio de 2012.”

A referência à fixação do salário mínimo é uma estocada conservadora no governo, que não tem razão de ser. A grande maioria dos empresários já percebeu que o aumento do salário mínimo, no ano que vem, representará uma injeção de dinheiro na Economia, que vai impedir queda maior da taxa de crescimento decorrente da crise nos países ricos. Por outro lado, a Constituição brasileira proíbe, expressamente, que o índice de variação do salário mínimo sirva de indexador para quaisquer outras obrigações pecuniárias.

É interessante assinalar, contudo, o reconhecimento, ao mesmo tempo, pelo editorial, de que a elevada taxa de juros no Brasil decorre, além de outros, de dois fatores essenciais: a – a memória da hiperfinflação dos anos 1980 e b – a “indexação ainda presente.”

A presidente DILMA já disse, diversas vezes, que não quer ver a inflação passada servir de base para o aumento de preços futuros; o que é uma determinação que, por certo,  está sendo seguida pelas autoridades da Fazenda e monetárias.

Além disso, o Banco Central tem diminuído a taxa de juros de forma “moderada” mas constante ( hoje, ainda, deverá haver uma redução de 0,5% pelo COPOM ).

Todos esses fatos sugerem que o governo está combatendo a indexação residual, ainda que de forma indireta.

A estratégia de ação indireta justifica-se, a meu ver, diante da resistência dos interessados a qualquer redução de fatores de ganho financeiro.

Basta ver a grita que se seguiu à primeira queda de 0,5% na taxa de juros, hoje reconhecida como acertada pelos antigos críticos.


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