QUEM TEM MEDO DA REGULAMENTAÇÃO DAS DROGAS
O medo da legalização das drogas vem do nosso inconsciente e começou na década de 1960 quando o pavor dos pais – cuja geração não tinha consumido maconha ( o máximo que ela usava era lança perfume, para tomar prises no carnaval ) – era de que os filhos se tornassem maconheiros ou cheiradores de cocaína.
Oriunda dos Estados Unidos, e muito divulgada, entre nós, surgiu a idéia de que as drogas eram uma forma de o comunismo minar a fé democrática da juventude ocidental e ganhar a guerra fria.
O golpe militar de 1964, além de moralista ( contra a subversão e a corrupção ) era fortemente contrário às drogas, e essa ideologia foi se sedimentando no inconsciente das pessoas, passou de geração para geração, e não há Fernando Henrique Cardoso, por mais que seja admirado pela classe média, que consiga demonstrar que fumar maconha deve ser tão objeto da regulamentação como fumar cigarros ou beber cerveja.
O resultado desse preconceito contra as drogas é o prejuízo para os governos estaduais cuja polícia está condicionada a perseguir os consumidores ( veja-se o que aconteceu no campus da USP recentemente ) embora a Lei tenha descriminalizado o uso da maconha. Por causa disso as cadeias estão inutilmente lotadas, consumindo um dinheirão dos poderes públicos, e transformando em verdadeiros criminosos pobres pessoas ( especialmente mulheres ) que vendiam drogas.
Como é algo que está abaixo da consciência é quase impossível mudar o comportamento dos anti drogas. Tomara que os livros e filmes que estão sendo produzidos sobre esse tema, a posição do STF permitindo as marchas pela legalização das drogas, a posição lúcida de alguns jornais ( como de o O GLOBO, por exemplo, no Rio ) consigam fazer com que a próxima geração de brasileiros volte ao normal e deixe de ter medo de que os filhos consumam, eventualmente, drogas ( se eles se viciarem, assim como ocorre com o álcool, devem ir para os “drogados” anônimos ).
