O ‘RISCO MORAL”

 

 

 

Em seu artigo de O GLOBO – “Implosão do Euro ?” – o economista PAULO NOGUEIRA BATISTA JR, que é Diretor Executivo do Fundo Monetário Internacional, representando o Brasil e mais oito países – aborda vários pontos importantes a considerar na atual crise européia.

O primeiro deles é o chamado “ Risco Moral” , isto é, o receio de países sérios e organizados de que o socorro aos governos europeus gastadores ou incompetentes seja interpretado como um prêmio.

A sanção, como se sabe, tanto significa uma punição, como um prêmio. A palavra vem de “sanctio”, da qual também provém “santo”.  Assim como o criminoso, ao ir para a cadeia, está sofrendo uma sanção, uma lei, ao ser promulgada, também precisou de uma sanção.

A chanceler ANGELA MERKEL, portanto, com muitas razões, está – como se diz –  endurecendo o jogo, para que não seja interpretada pelos alemães como uma mãe que perdoa tudo aos filhos, mesmo aqueles que fazem estrepolias e traquinagens, ou sejam pouco hábeis no manejo de seus negócios.

Ainda assim o Banco Central Europeu – que ouve MERKEL e SARKOZY, mas é independente – vai ter que acabar emitindo Euros, garantindo a compra dos bônus dos países endividados.

Haverá o perigo de inflação ?

NOGUEIRA BATISTA responde que não, dizendo:

“Haverá risco de inflação ? Não. O risco que a Europa corre é de depressão econômica”.

Emitir moeda é a única forma atual de o BCE eliminar a especulação que está ameaçando não só os governos – tantos já caíram, ultimamente – como os povos dos países europeus.

É verdade que isso acabará beneficiando os mercados financeiros, como ocorreu nos Estados Unidos, quando o FED botou em prática a política de “relaxamento monetário”, emitindo bilhões de dólares para estancar a paralisação que decorreu da quebra do Lehman Brothers. Mas não há como evitar isso, pois é a regra atual.

O fato – a que não se refere NOGUEIRA BATISTA –é que o sistema financeiro está inteiramente desregulamentado trata as moedas nacionais, e os títulos da dívida pública, como meros créditos, o que não pode continuar.

Será que as pessoas querem uma prova melhor – do que esta crise do Euro – de que a moeda é coisa séria e não pode ficar nas mãos de financistas ?

É preciso que o BCE faça a sua lição, mas que os europeus aprendam com a crise. A moeda é um valor e, portanto, deve ser usada para enfrentar as emergências econômicas. Mas, porque ela é um valor, não pode ser manipulada por agentes do mercado financeiro,  que são, em geral, pessoas muito espertas e podem ser perigosas.


Deixe um comentário

Seu e-mail nunca será publicado.