A NECESSIDADE DE REFORMAS ESTRUTURAIS

 

 

Tanto o editorial de O GLOBO, “ As bases movediças da aposta do BC “ como o artigo de CELSO MING, “ E se não vier a tempestade? “ questionam a atual política do Banco Central de baixar os juros com base nas perspectivas de menor crescimento econômico brasileiro e de piora da situação financeira do exterior. Afirmam,  ambos os textos, que será necessária uma atuação melhor do governo na política fiscal, sem o que a taxa dos juros tenderá a crescer de novo.

Acho que a insistência na tecla do “ajuste fiscal” é um dogma econômico conservador, com o qual antipatizo. No caso brasileiro, contudo, há uma questão específica – que tem a ver, indiretamente, com o tal ajuste fiscal – que precisa ser resolvida, sem o que os juros, efetivamente, não conseguirão cair tanto quanto o governo DILMA  pretende.

Diga-se de passagem que vejo, com a maior simpatia, a ação do Banco Central – e do governo em geral – aproveitando todas as brechas para fazer os juros cair e, com isso, diminuir, desde logo,  os gastos estratosféricos para pagar os encargos da dívida pública. Parece-me, todavia, que é indispensável ir mais fundo, tocando nas estruturas do arcabouço da Economia, sem o que o sistema vigente pode acabar triunfando, fazendo-nos voltar aos tempos de HENRIQUE MEIRELLES que, como insinua o ex-governador ALBERTO GOLDMAN,  em artigo hoje publicado no Estadão, resolvia quase todos os problemas elevando os juros.

Quando acabou a hiperinflação, foi montado um esquema de juros flutuantes, TR, SELIC, correção monetária residual, etc, que permitiu ao mercado financeiro conviver com a estabilidade e criou, afinal,  um verdadeiro “sistema”, ainda não desmontado. É claro que isso tudo teve – e tem – um preço enorme: como bem demonstrou o professor ANTÔNIO CORRÊA DE LACERDA em artigo recente publicado no Estadão. Mas o sistema está aí e produzirá seus efeitos enquanto não for desativado. Basta lembrar, a propósito,  que a nossa meta de inflação, de 4,5%, é, por si só, elevadíssima.

O governo talvez tenha a esperança de que, fazendo cair os juros, o ajuste fiscal possa começar  a ser feito por ai. Por outro lado, é tamanha  a presença do Estado brasileiro na Economia, que há vários meios de impedir a inflação ( como se viu agora no caso dos preços da gasolina e do diesel ) , sem que seja necessário manter elevadas as taxas de juros.

Não será fácil para o governo  mexer no sistema vigente; valendo a torcida para que a tentativa de o Banco Central  agir nas frestas dê certo: mas  chegará o dia em que as mudanças estruturais, por mais ameaçadora que essas palavras pareçam, vão ter que ser feitas.

 

 


Deixe um comentário

Seu e-mail nunca será publicado.