A PRÓXIMA ETAPA
O governo disse, repetidas vezes, que disporia de outros recursos jurídico-econômicos para enfrentar a alta da inflação, se ela ocorresse, e a equipe econômica, efetivamente, dispõe de outras medidas, e pode ser levada a aplicá-las, se os níveis de preços continuarem subindo.
O principal instrumento para enfrentar a inflação que o governo tem em mãos é eliminar a indexação residual, responsável pelo aumento de 30% do valor dos índices. Agora, por exemplo, o índice que mede o reajustamento do aluguel está subindo acima dos demais, o que significa que os aluguéis pressionarão a inflação por conta do aumento – como se dizia antigamente – do preço do chuchu.
A elevação do dólar, por sua vez, vai causar inflação; entre outros motivos porque a correção monetária nasceu como uma forma de empregar o dólar, internamente, como medida de valor.
Outra observação inicial é a seguinte: o recente aumento da SELIC não adiantou para evitar a inflação; o que demonstra que um novo aumento, ou a manutenção da cotação da referida SELIC – como queria o mercado – também não serviria para nada.
Ainda assim, os economistas e analistas ortodoxos e conservadores já estão culpando o governo pelo fato de ele ter promovido a redução da taxa de juros, como se verifica, no Globo de hoje, dos artigos “Insensatez em marcha” e “Crer para ver” respectivamente dos professores ROGÉRIO FURQUIM WERNECK e MONICA BAUMGARTEN DE BOLLE, ambos da PUC do Rio.
Embora calcados em muitos argumentos da dogmática econômica, e as referências corretas à experiência brasileira, nenhum dos dois artigos aborda, nem de longe, a questão da indexação residual, o que significa que ambos, tanto WERNECK como DE BOLLE não dão importância à maior vulnerabilidade atual da nossa Economia, que são os reajustes anuais dos contratos segundo certos índices de inflação e o uso da indexação nos mercados financeiro e imobiliário.
Espero que o governo, que teve a coragem – diante da crise externa – de baixar as taxas de juros, continue reduzindo-as, em face, agora, da vulnerabilidade interna e, se tiver disposição, que ataque o problema da indexação residual, com o que diminuirá, de pronto, a inflação.
