AS NOVAS CRUZADAS NO ORIENTE MÉDIO

 

 

 

Vale a pena transcrever a parte final da longa entrevista de ROBET FISK à também jornalista Carolina Rossetti publicada no Estadão sob o título “Mas que governo”?

“Mandem médicos e construtores de pontes, e economistas para fazer alianças comerciais, mas, por favor, mais nenhum soldado. Temos hoje seis vezes mais soldados ocidentais per capita no Oriente Médio do que na época das Cruzadas do século 12. Ainda não entendemos que a terra deles não é nossa, achamos que o petróleo deles nos pertence, mas não é verdade. Eles são nossos amigos, compartilhamos o planeta, mas não temos direito nenhum sobre seu destino.” 


OS NEO LIBERAIS, OS MILITARES E AS GUERRAS

 

 

É engraçado ver – se é que, no caso, essa palavra pode ser empregada – como os mais ferozes defensores da redução das despesas dos governos não reclamam dos custos das guerras.

É que eles acham, certamente, ou que a guerra, em certos casos, é indispensável, ou, como acontece com o petróleo da Líbia, que ela pode trazer-lhes dividendos.

Outro fato significativo nessa guerra da Líbia é a sem cerimônia com que os militares desprezaram os limites impostos à sua ação pela ONU. Deve ser porque, segundo o dito popular, “guerra é guerra”.

No início, a autorização era só para impor uma zona de exclusão aérea. Logo as forças ocidentais passaram a atuar com liberdade e desenvoltura, e não deram bola para as várias tentativas de o governo Líbio conseguir um cessar fogo.

Resultado: a ONU, e o seu atual Secretário Geral saem desmoralizados. E os civis líbios, espremidos entre dos fogos, estão morrendo aos milhares, tal como as Nações Unidas diziam querer evitar, quando impuseram a zona de exclusão aérea.

Os desdobramentos da guerra da Líbia  acabarão sendo muito parecidos com os da guerra do Iraque, com a diferença de que o governo OBAMA, desta vez, foi  mais esperto, e pôs os EUA em segundo plano.

Quero ver como a França e a Inglaterra vão se sair da enrascada em que se meteram ! Será que o SARKOZY e o CAMERON esperam ser saudados pela opinião pública de seus países como heróis ?


CREIO, AGORA, QUE ENTENDI: VEJAM SE ESTOU CERTO

 

 

O sistema financeiro não quer o aumento dos juros; o que ele não quer é a sua redução, porque é melhor  para o sistema financeiro, que a taxa de juros seja mantida onde atualmente se encontra.

Como os juros brasileiros são flutuantes uma redução das suas taxas imporia uma flutuação para baixo, causando perdas ao sistema financeiro.

O sistema financeiro admite a redução das taxas de juros no caso, apenas, de haver um ajuste fiscal: ou seja, de o poder público perder recursos, que ficariam disponíveis para as empresas privadas. Esse ajuste seria a compensação que o sistema financeiro obteria para cobrir o prejuízo que terá com a queda dos juros.


O RIO DE JANEIRO MERECIA UM JORNAL MELHOR

 

 

 

A classe média alta do Rio precisa consultar o obituário e, por isso, é obrigada a ler um jornal de grande circulação.

Fora isso, O GLOBO só serve, ultimamente, para desinformar.

A manchete de primeira página de hoje – “Interventor encontra ralos para corrupção na CONAB” – é exemplo disso.

Aproveitando-se da ingenuidade de um funcionário recém empossado na empresa, o repórter Evandro Éboli produz uma reportagem de meia página, que dá origem à referida manchete escandalosa.

O propósito do jornal O GLOBO não é o de informar. Nem fazer jornalismo investigativo. Ele põe em prática um esquema que busca, pura e simplesmente, veicular a ideologia da empresa jornalística.

Como o leitor não é obrigado a ter espírito crítico ele acaba fazendo coro com os desencantados de barriga cheia.

Com essa prática condenável o jornal O GLOBO deforma a opinião pública o que parece ser, última análise, o seu objetivo.


QUEDA DE BRAÇO

 

 

O governo DILMA ROUSSEFF, como informam os jornalistas Gerson Camarotti e Martha Beck no jornal O GLOBO – na reportagem sob o título “Planalto pressiona por taxa de juros menor” – decidiu, afinal, jogar uma queda de braços com o mercado financeiro, e está pressionando o Banco Central a baixar a taxa de juros, já agora em setembro, para que o atraso na tomada dessa decisão não cause uma desaceleração da economia semelhante à de 2008/2009.

Acredito que o governo DILMA vá ser bem sucedido na sua investida, mesmo porque o Banco Central de TOMBINI não é o mesmo de MEIRELLES.

É verdade que muitos analistas  são contra a redução da taxa de juros, sob o pretexto de que isso só pode ocorrer quando houver um ajuste fiscal por parte do governo.

Essa história do ajuste fiscal, porém, é  mal explicada. O que há por trás dessa proposta, a meu ver, é a ideologia neo liberal do Estado mínimo. Como defender essa política, porém, numa época em que o neo liberalismo já foi para o espaço, depois de ter provocado a crise financeira dos países desenvolvidos de 2008 ?

A China – onde o Estado nada tem de mínimo – transformou-se no fenômeno econômico dos dias atuais. É verdade que a China é uma autocracia, o que não quer dizer, contudo, que devamos nos tornar uma autocracia para crescermos como a China.

Os juros brasileiros atuais são uma excrescência, sendo responsáveis, além disso, pelos desequilíbrios provocados pela supervalorização do Real.

O momento é de baixá-los, para que possamos ocupar, com decência, o lugar que nos está reservado no mundo.