A FORMIGA SAÚVA E AS TAXAS DE JUROS
Nos tempos remotos da minha infância dizia-se que “ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil” o que, segundo AMIR KHAIR, aplica-se hoje às taxas de juros, como ele escreve na conclusão de seu artigo do Estadão “A crise e a estratégia fiscal”, afirmando:
“Ou o Brasil as taxas de juros ou as taxas de juros derrubam o Brasil.”
Taí, é um bom lema !
Hoje, segundo KHAIR, a principal gastança do governo é com juros:
“A principal redução das despesas é com os juros gerados pela SELIC. Nos últimos dezesseis anos ( 1995 a 2010 ), foram jogados fora todo ano, em média, 7,38% do PIB ! Essa é a maior gastança do País. Caso os governos FHC e LULA tivessem reduzido a SELIC, se teria, há muito tempo, equilibrado as contas públicas e recursos suficientes para ter resolvido o elevado déficit social e de infraestrutura do País.”
Porque, então, tem tanta gente contra – mesmo quando finge ser a favor – a queda das taxas de juros ?
A resposta é que essa média de 7,38% do PIB não foi jogada fora: foi para o bolso dos investidores e intermediários do sistema financeiro, e para os analistas ( inclusive jornalistas/analistas ) que esse sistema sustenta.
Os governos FHC e LULA poderiam ter reduzido a taxa de juros mas, lembra KHAIR, não o fizeram. FHC e LULA, porém, tinham suas razões: o primeiro implantou o plano Real de eliminação da indexação e estabilização de preços; o segundo investiu todas as suas forças na transferência de renda que permitiu a retirada de milhões de pessoas da miséria.
A hora e vez é da presidenta DILMA.
Ela já disse que não é a favor de um ajuste fiscal linear, embora esteja se esforçando para reduzir as “despesas que não se justificam” ( como diz KHAIR ) e diminuir a corrupção. Além disso prometeu que sairia do governo com os juros reais na casa dos 2% ao ano.
É bom, portanto, que o mercado antecipe, mesmo, a queda forte da SELIC, porque, se não houver algum acidente de percurso, ela – felizmente – vai cair.
