TEMOR REVERENCIAL
O dólar atingiu o seu nível mais baixo desde 19 de janeiro de 1999, o que atrairá cada vez maior quantidade de moeda estrangeira, para fins especulativos.
Poderiam ser tomadas medidas legais mais fortes para evitar essa enxurrada de dólares, uma das quais – mais óbvia – seria acabar, de uma vez, com a correção monetária residual.
Como o governo, contudo, é do Partido dos Trabalhadores e a indexação é um mecanismo típico da classe dos patrões, há um enorme temor reverencial – implícito nas declarações de hoje do ministro PIMENTEL – que travam qualquer ação nessa direção.
Esse temor reverencial decorre do fato de a correção monetária ter sido uma criação de expoentes da classe dominante na sociedade brasileira, estruturando-se, em seguida, em torno dela, um sentimento de valor e de nobreza que, como se fosse um broquel, defende-a de todos os ataques.
Se pensarmos bem constataremos que a correção monetária expressa ( supostamente ) nada menos do que o “valor real”. Ela é tão nobre, portanto, ideologicamente, quanto o ouro e a prata, de modo que ninguém no governo parece ter a coragem de lhe dar o piparote final.
