DEIXAR KADAFI APODRECER NO CARGO

 

 

Não existe, propriamente, o “cargo” de ditador; mas a solução para o caso da Líbia talvez seja deixar KADAFI como um ditador em processo de esmaecimento.

Será certamente difícil,  para o governo líbio, convencer o seu líder  a ir perdendo o poder. Mas , sem livrar-se dele deixando-o, pelo menos,  apodrecer no cargo, os moderados não conseguirão sair da encrencada guerra em que se meteram.

É verdade que a guerra é encrencada para os dois lados: a Europa ( através da OTAN ) e a Líbia.

Se, contudo,  não houver a trégua, com o cessar fogo, mais uma vez proposto pelo primeiro ministro BAGHDADI MAHMOUD, a situação vai ficar insolúvel, com KADAFI mudando-se de lugar a todo o momento, para não ser assassinado – no que ele, aliás, depois da morte do filho e de três netos pela OTAN, tem toda razão  - e com o povo inocente da Líbia sofrendo as agruras de uma guerra que arruína o país.

 


A ESQUERDA “COSMÉTICA”

 

Se SAN TIAGO DANTAS ainda fosse vivo  – ele, que identificou, no seu tempo, a esquerda festiva – certamente acharia apropriado o epíteto “cosmética” para definir uma certa esquerda, descendente daquela, e  que pulula, atualmente,  por aqui.

Ser de esquerda, no Brasil, ainda é muito chique: tanto que ninguém se diz, abertamente, de direita.

Um brasileiro de esquerda supõe-se que seja bom, justo e generoso.

Mas a esquerda cosmética não é a favor da igualdade, embora assevere isso, da boca pra fora.

Um  esquerdista cosmético diz gostar de Che Guevara e de outros ícones similares, mas vota, mesmo, no PSDB.

No que se refere aos pobres, admite que tem uma certa curiosidade quanto a eles, mas desde que saibam se colocar no seu respectivo  lugar.

É uma gente, em síntese,  com a qual precisamos ter muito cuidado…


AS NOVAS FRONTEIRAS DOS ESTADOS DE ISRAEL E DA PALESTINA

 

Sobre o assunto, o presidente BARACK OBAMA disse o seguinte, no seu discurso:

“The borders of Israel and Palestine should be based on the 1967 lines with mutually agreed swaps, so that secure and recognized borders are established for both states. The Palestinian people must have the right to govern themselves, and reach their potential, in a sovereign and contiguous state.”

Ou, em tradução livre:

“As fronteiras de Israel e Palestina devem ser baseadas nas linhas de 1967, com os ajustes mutuamente combinados, a fim de que limites seguros e reconhecidos sejam estabelecidos por ambos os Estados. O povo palestino tem o direito de auto governar-se e desenvolver o seu potencial em um Estado soberano e contíguo.”

Não se trata, portanto, de fazer o tempo recuar. Trata-se de fixar um ponto de partida, o que desprestigia as conquistas baseadas nas guerras de Israel contra os seus vizinhos, mas não deixa de reconhecer um novo status quo.

 


A “VELHA” CLASSE MÉDIA

 

O analista Alberto Bombig afirma, no Estadão de hoje, que a “crise ( que tem, no seu epicentro, o ministro Antônio Palocci ) é ( um ) revés na estratégia de atrair a ‘velha classe média’”.

A análise de Bombig refere-se à política de São Paulo; mas eu creio que ela é aplicável a todo o país, em que  a classe média voltou a arreganhar os dentes contra o partido dos trabalhadores com o qual estava, até há pouco, em lua de mel.

A “velha” classe média brasileira não é composta, apenas, de velhos: os jovens que se criaram depois da ditadura, que não fizeram política nas universidades, que se americanizaram e se tornaram acríticos, pensam , em grande parte, como pensavam os lacerdistas da antiga UDN, e não percebem a hipocrisia que está por trás dessas campanhas moralistas da oposição.

Como pensará, no futuro próximo,  a nova classe média emergente ?

O que terá a esquerda a dizer para essa nova classe média ?

 


PALAVRAS DE UM JURISTA

 

O presidente OBAMA é um dos  maiores oradores dentre muitos que o mundo conheceu até hoje.

O seu discurso recente, sobre o Oriente Médio e o Norte da África é uma peça impecável, agradável de ler, e repleta de análises e conclusões irrespondíveis.

A todo instante lêem-se no discurso do presidente americano as marcas do jurista, como, por exemplo, nos seguintes trechos:

Depois de décadas aceitando o mundo como ele é na região, temos a oportunidade de construir um mundo tal como ele deveria ser.”

“Podemos e devemos tratar de um conjunto de princípios fundamentais que orientaram a nossa resposta aos eventos ocorridos nesses últimos seis meses.”

“Apoiamos  um conjunto de direitos humanos. Esses direitos incluem a livre expressão, o direito à reunião pacífica, liberdade de religião, igualdade entre homens e mulheres, obedecido o devido processo legal e o direito de escolher os nossos próprios líderes.”

O discurso, todo ele, é excelente, e vale não só como um primoroso exame da situação na região, como uma plataforma política que deve ser seguida para que haja  paz e progresso no Oriente Médio e Norte da África.