CARAS DE PAU

 

O pessoal do Partido Republicano dos EUA é, mesmo, cara de pau. O JOHN MC CAIN acaba de aterrisar em Benghazi, para dar força aos rebeldes líbios. O seu partido é favorável a um engajamento maior dos EUA na guerra civil daquele país, certamente porque, a seu ver, os problemas e despesas dos americanos no Iraque e no Afeganistão não são suficientes.


É PRECISO ACABAR COM A INDEXAÇÃO

 

 

No seu artigo “Quem quer uma recessão no Brasil ?” o economista ANTÔNIO C. DE LACERDA escreve:

“No caso brasileiro, há ainda o efeito da indexação de tarifas e contratos, o que acaba gerando um fator de inércia na inflação. Algo que precisa ser corrigido, pois é incompatível com a realidade atual. Há uma série de tarifas e contratos reajustados anualmente de forma automática, baseados em índices gerais de preços ( IGPs) que nem sempre espelham a estrutura de custos dos serviços e são excessivamente suscetíveis aos choques de preços. É preciso promover uma transição no processo de desindexação, de forma a tornar o conjunto de preços relativos mais palatáveis a um mercado competititvo.”

O Banco Central, e o governo brasileiros sabem, certamente disso e estão, a meu ver, esperando uma oportunidade política para tomar as medidas que se impõem.  Tenho a impressão, a esse respeito, que existe um propósito do governo de deixar os interessados discutirem, amplamente, essa questão, antes de desindexar os contratos e as tarifas de serviços públicos.

A desindexação é um processo político difícil. Ela pôde ser feita na época do Real – e mesmo assim deixando brechas que se alargaram com o tempo – porque a situação inflacionária era muito ruim, o que não acontece atualmente. Era preciso, além disso, deixar o salário mínimo de fora da desindexação, o que o governo já fez.

Em suma: que é preciso acabar com a indexação residual parece não haver dúvidas, embora essa certeza deva aprofundar-se na opinião pública; o problema é quando e como fazê-lo.

Espero que isso ocorra ainda este ano, porque, senão, no início do ano que vem virão todos aqueles reajustes decorrentes da indexação, que elevam a inflação. Pode ser que o governo esteja esperando a atual inflação estabilizar-se.  De qualquer modo, a meu ver, essa desindexação virá.

 


REFORMAS MICROINSTITUCIONAIS

 

 

A expressão “reforma microinstitucional” é um neologismo presunçoso para significar reforma institucional ou, mais simples e corretamente, reforma legal: no caso concreto, uma reforma monetária.

O curioso é que os autores do artigo “Inflação e reformas microinstitucionais” (GUILHERME LACERDA e UMBERTO CONTI ), publicado no Estadão, e o jornalista CARLOS ALBERTO SARDENBERG, no artigo “Um Plano Real para os juros”, publicado em O Globo, pregam, igualmente, a edição de medidas jurídicas para consertar as falhas do Plano Real que nos levam, em grande parte,  à atual inflação e permitem uma excepcional valorização da moeda nacional brasileira.

O artigo de SARDENBERG peca pela generalização e pela carga ideológica que carrega. Já o texto de LACERDA & CONTI merece transcrição. Dizem eles, a certa altura, com razão:

“Ademais, as estruturas de preços sofrem com os resquícios do modelo de indexação arraigado em contratos e nas memóricas dos agentes econômicos. A prevalência do Índice Geral de Preços ( onde IPA=60%) para grande parte de contratos de serviços e tarifas públicas distorce a formação de preços domésticos. Seu patamar e sua volatilidade se apresentam acima daqueles dos preços internos. Alimentos e transportes, por exemplo, bastante atingidos pela inflação global de commodities, respondem por mais de 40% do IPCA.

O processo de estabilização monetária está incompleto e necessita de medidas microprudenciais que quebrem o sistema de indexação ainda existente. O IGP continua a ser o indexador de contratos, afetando aluguéis, tarifas públicas, serviços, inclusive produtos financeiros.”

Os presidente e gerente de investimentos da FUNCEF, a despeito do infeliz neologismo que usam, têm razão no mérito: é preciso consertar o Real, para que possamos sair do atual imbróglio monetário, que eleva as taxas de juros à alturas e valoriza o câmbio.

 


RELEVÂNCIAS E IRRELEVÂNCIAS

 

A elevação da SELIC em 0,25 % traz, com ela,  várias mensagens:

1)      Os palpites do mercado já não são tão relevantes;

2)      A taxa de juros subirá, se for necessário, mas numa proporção que levará em conta o fato de que as nossas taxas são as maiores do mundo;

3)      A inflação brasileira não deve ser combatida apenas com o aumento da taxa de juros;

4)      A indexação dos contratos do início do ano é, ao mesmo tempo, irrelevante e relevante, mas deve ser combatida.

 


O QUE SIGNIFICA O BRICS

 

No artigo “Um grupo que não precisa pedir licença aos EUA”, publicado no Estadão, o escritor e pesquisador do Carnegie Institute DAVID ROTHKOPF salienta duas atitudes internacionais de grande relevância tomadas pelo Brasil, Russia, India, China e África do Sul na reunião de cúpula que tiveram recentemente na China: a) a oposição aos ataques à Líbia; b) decisão de negociar entre eles com suas respectivas moedas nacionais e não por meio do dólar.

Lembra ROTHKOPF que o BRICS, e os seus eventuais aliados, constituem a maioria da população do planeta e, embora não sejam os mais ricos, são os que  crescem mais rapidamente no mundo de hoje

Conclui o pesquisador o seu artigo escrevendo o seguinte, que tem um sentido de certa forma profético:

“O Brics certamente continuará a lutar por mudanças no sistema monetário internacional para diminuir o papel central desempenhado pelo dólar. Ele pode estar errado. Pode ser ineficaz. No entando, ele acredita que, nessa transição específica, é o Brics que está do ‘lado da história’.