NOTÍCIA DO JORNAL VALOR ECONÔMICO
Governo enfrentará a indexação
O mapa da indexação no país é mais extenso do que se imagina, conforme radiografia já concluída por esse grupo de técnicos. Mesmo no universo de preços livres há algum tipo de correção baseada na inflação passada. No mercado financeiro, prevalecem práticas criadas no tempo da superinflação. As soluções não são simples e dependerão do apoio da sociedade. Não é intenção do governo, porém, retomar o processo de desindexação de forma compulsória, para implementação em curto prazo. “Queremos fazer isso de maneira amigável, criando incentivos e penalizações e obedecendo às regras de mercado”, disse uma qualificada fonte oficial.
As discussões em curso se alinham a uma outra agenda não menos importante: criar uma estrutura de incentivos que estimule as famílias a fazer poupanças financeiras de longo prazo.
O estoque de aplicações em fundos e cadernetas de poupança soma, hoje, cerca de R$ 2 trilhões. São recursos em aplicações de curto ou curtíssimo prazos e que poderiam ser mais longas. Assim, contribuiriam, inclusive, com o financiamento de projetos que vão demandar cerca de R$ 1,3 trilhão nos próximos quatro anos.
Se a iniciativa desse grupo vingar, será a primeira vez, desde de 1995, que o governo enfrentará a indexação. Em julho daquele ano foi editada a Medida Provisória 1.053, que proibiu o uso da correção monetária ou de índices de preços em todos os contratos de até um ano e estabeleceu a livre negociação para os salários. Passado todo esse tempo, subsiste o mecanismo perverso de propagação da inflação passada para a inflação futura, num sistema resistente às políticas de controle da inflação”.
Claudia Safatle | De Brasília
