NO CAMINHO CERTO

 

Segundo a reportagem de Cláudia Safatle, no jornal Valor Econômico, sob o título “Governo preparar proposta de desindexação”,

“não há intenção de iniciar o processo de desindexação de forma compulsória e em um curto espaço de tempo. ‘Nós queremos fazer isso de maneira amigável, criando incentivos e penalizações e obedecendo às regras de mercado.”

Muitos gostariam de ver o governo falar grosso, baixar pacotes, prometer resultados:  mas esse tipo de conduta, num ambiente democrático como o do Brasil atual levaria, a Administração DILMA ROUSSEFF, como se diz,  a “quebrar a cara”. Aqueles que defendem uma atitude autoritária do governo não a defendem porque querem que o plano de desindexação dê certo, mas porque querem que o governo dê errado.

Não vai ser fácil conduzir esse processo que, dentre outras coisas, terá que enfrentar um ceticismo muito grande por parte da opinião pública, que ao mesmo tempo não acredita no governo  e não quer que haja mudança alguma no status quo.

Ainda assim, o governo sairá, afinal, vitorioso, por mais desgastante que seja a sua luta. E sairá vitorioso porque a indexação compulsória –  qualquer que seja o seu tamanho, integral, parcial, ou residual –  contraria, na sua raiz, a Constituição Federal, que prevê a existência de uma única unidade monetária, e não de duas.

A inflação não é, nem pode ser, um padrão superior à moeda nacional. Não há indexadores hieraquicamente superiores ao Real.

É claro que alguns perderão alguma coisa, e gritarão contra isso, mesmo que tenham ganho muito com o antigo sistema. Daquilo que se ganha no passado facilmente as pessoas esquecem, quando se sentem ameaçadas de ganhar menos no futuro.

Vai ser preciso muita determinação, muita paciência, muita unidade dentro do governo, diante das reações que virão não só do Congresso como, ainda maiores, do Judiciário.

Mas é indispensável desindexar a Economia completamente, e as pessoas sabem disso, embora finjam que não sabem.

 

 


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