PREVISÕES

 

Em 16 de outubro de 1983, durante a realização, no Rio de Janeiro,  do 1º Congresso Brasileiro de Advogados das Instituições Financeiras ( CONBAIF ), organizada por OSWALDO SÉRVULO TAVARES DA SILVA, então chefe do Departamento Jurídico do BRADESCO,  apresentei  uma proposição do seguinte teor:

“A normalização (monetária) , compreendida como reunificação da ordem monetária e a instituição de um sistema dinâmico e hierarquizado de valores, que tenha como fundamento a moeda nacional, é uma condição prévia indispensável para a reorganização da economia e para a implantação estável de um Estado de Direito.”

Vivíamos, na época, num regime de correção monetária compulsória e automática praticamente generalizada, e a minha proposição causou espanto e reação.

Três anos depois o governo federal editou o Plano Cruzado, de 1986 e, finalmente, em 1994, com o Plano Real, já vigente a nova Constituição de 1988, a indexação compulsória automática foi extinta.

Fui reconhecido, então, como um pioneiro, que anteviu, com cerca de 11 anos de antecedência, as transformações decisivas pelas quais iria passar a Economia brasileira.

Mas o Plano Real deixou em aberto diversas brechas que, hoje, impedem a queda das taxas de juros e promovem a valorização excessiva da unidade monetária brasileira, contra cujos perigos venho tentando alertar a opinião pública através de vários livros e trabalhos publicados e, de 4 anos para cá, por meio deste Blog.

Assim como tinha a convicção, em 1983, de que a correção monetária compulsória e automática ia ser extinta – o que parecia impossível na época – estou certo de que a TR e a SELIC vão ser eliminadas, sem o que o governo federal e o Banco Central brasileiro não poderão resolver a questão dos juros altos e do câmbio muito valorizado.

O problema é que, em 1983, eu tinha, apenas, 48 anos, e estou chegando, agora, nos 76, de modo que não tenho mais tempo nem paciência para constatar a inevitável abolição da indexação residual.

 


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